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O ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NO CURSO DE GRADUAÇÃO DE LETRAS DA UNIFAN

Hellen Dias Rodrigues
(UNIFAN – União das Faculdades Alfredo Nasser)

Orientadora profª Ms. Telma Aparecida Teles Martins
(UNIFAN)

Apesar de o ensino de língua estrangeira (L.E.) ser assegurado pela Lei de Diretrizes e Bases (L.D.B.) nº 9394/96 que, reintegra o referido ensino de L.E. no currículo nacional, percebemos o descaso das autoridades de ensino que, dão pouca importância ao ensino de L.E.
Ainda que, esta exerça grande influência no mercado de trabalho, das comunicações, etc, ao observarmos como se dá o processo de ensino-aprendizagem de L.E., constatamos as dificuldades enfrentadas tanto por profissionais de línguas, quanto por aprendizes. A falta de material adequado, a falta de oportunidades de uso real da língua ensinada, o tempo destinado para as aulas, a formação dos docentes, entre outros fatores, contribuem para o pouco ou nenhum desenvolvimento da L.E. (no caso desta pesquisa – inglês).
O campo de pesquisa em L.E. tem avançado bastante nos últimos anos. As pesquisas ocorrem, principalmente, na área de formação de professores, mais precisamente, nos cursos de Letras, visto que, esta é a esfera onde se forma professores de línguas. Tanto a L.D.B. 9394/96, quanto os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), destacam o desenvolvimento das habilidades comunicativas, como sendo o ponto de maior relevância no ensino de L.E., defendendo assim, o desenvolvimento do aprendiz enquanto cidadão crítico e consciente, pronto a se comunicar e se expressar de forma clara diante da sociedade.
Por outro lado percebemos que, na prática, o método da abordagem comunicativa (defendido pela L.D.B. e PCNs) não se dá de forma concisa, em conseqüência dos fatores citados anteriormente. Percebemos assim, o descaso das autoridades educacionais, descaso este que, se estende no desdobramento da história do ensino de L.E.
Desta forma, a presente pesquisa, fundamentada teoricamente na perspectiva sócio-histórica dialética, buscou investigar até que ponto o fator tempo pode influenciar no processo de ensino-aprendizagem de L.E., e ainda, comparar o grau de influência do fator tempo com a influência de fatores como a cultura, a relação afetiva, etc. Neste sentido, buscamos discutir juntamente com graduandos de 1º e 8º períodos do curso de Letras e professores da área de Língua Inglesa da União das Faculdades Alfredo Nasser (UNIFAN), assuntos relacionados à formação de professores de línguas, sua prática docente e a relação entre as orientações, tanto dos PCNs e L.D.B. como do curso de formação, com a prática em sala de aula.
Sob o ponto de vista metodológico optamos pela utilização de questionários com o objetivo de identificar a concepção dos 133 alunos de 1º e 8º períodos do curso de Letras e 4 professores da área de L.E. (inglês) da UNIFAN, os quais se manifestaram quanto ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem de L.E.
As análises das respostas dos alunos e dos professores apontam que, a utilização da abordagem comunicativa é mínima, visto que, há a heterogeneidade das turmas, número elevado de alunos por turmas, etc.
Constatamos ainda que, os alunos do 8º período do curso de Letras, não se sentem habilitados a ministrar aulas de Língua Inglesa, haja vista que, os mesmos não acreditam ter domínio suficiente sobre as habilidades comunicativas.
Com base nos dados levantados, podemos refletir na dificuldade de formarmos professores que reconheçam a importância do ensino de L.E. como uma oportunidade de formar cidadãos críticos e conscientes, aptos a atender a uma demanda social de adaptação ao mercado e, ainda, não ficarem indefesos nas relações sociais.
Ainda percebemos que o ensino de L.E. se dá de forma gramaticalista, sendo contempladas apenas as habilidades de escrita e leitura, ainda assim com deficiência, o que leva o professor em formação a atuar da mesma forma nos ensinos fundamental e médio, alimentando assim esta deficiência no processo histórico de desenvolvimento do ensino-aprendizagem de língua estrangeira.

Bibliográfica Básica:

ALMEIDA FILHO, J.C.P. Dimensões comunicativas no ensino de línguas. 2ª ed. Campinas SP – Pontes, 1998.
BARCELOS, A.M.F.A. A cultura de aprender línguas (inglês) de alunos de Letras. Dissertação (Mestrado em Lingüística Aplicada), Instituto de Estudos da Linguagem, UNICAMP, 1995. 140p.
BRASIL, LDB. Congresso Nacional. Lei n° 9394 de 20.12.98 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1996.
BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria da Educação Fundamental, Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira. Brasília: MECSEF, 1998, p.24.
BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria da Educação Média e Tecnológica, Parâmetros Curriculares Nacionais: códigos e suas tecnologias. Língua estrangeira moderna. Brasília: MEC, 1999, pp.49-63.
MOITA LOPES, L.P. Oficina de lingüística aplicada: a natureza social e educacional dos processos de ensino-aprendizagem de línguas. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1996, p.66.
PAIVA, V.L.M.O. A identidade do professor de inglês. In: PAIVA, V.L.M.O. (org.). Aplienge: Ensino e Pesquisa. V. 1, 1997, p.3-17.
REGO, T.C.R. Vygotsky, uma perspectiva histórico-cultural da Educação. 14ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.

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