Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Augusto Cury

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terça-feira, 3 de maio de 2011

DIDÁTICA: UMA REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO


Qualquer reflexão teórica a respeito da história da educação reporta necessariamente à história da formação do Estado e ao movimento dos processos de democratização das sociedades modernas. A dissociação do Estado em relação à figura do rei (democratização social), a laicização da cultura e dos conhecimentos e as transformações dos modos de produção e divisão do trabalho, foram e permanecem sendo constituintes de universos culturais e simbólicos, cujos desdobramentos e concretização, vêm impondo maior complexidade e diversidade à organização societária dos Estados modernos, que por sua vez, acabam por conformar os objetivos e a dinâmica organizacional dos sistemas educacionais.
Independente de qualquer força que pretenda se contrapor ao livre desenrolar do processo está nascendo uma nova instituição educacional. Nova, sob qualquer aspecto a ser considerado, representa a superação da escola ainda dominante em nosso tempo. O movimento que lhe é imanente deve ser saudado como encorajador, pois, além de subverter a velha organização do trabalho didático, pela incorporação de novos recursos tecnológicos, pressiona a instituição escolar a assumir, novas e significativas funções sociais que a sociedade vem lhe impondo.
Enfatizando, essa instituição educacional emergente não agrega, simplesmente, novos instrumentos aos recursos didáticos da superada escola que conhecemos nem se restringe à formação intelectual. Mas, para exercer o trabalho didático, agora sob uma forma contemporânea, e as funções sociais reclamadas pelo novo tempo, necessita apoiar-se em soluções originais, que mudam todas as referências para a formação de cidadãos e de profissionais especializados e exigem a formulação de novas concepções de espaço educacional e de arquitetura educacional.
O foco de toda essa discussão reside em provocar os educadores a refletirem sobre seu trabalho docente que, mesmo num cenário de adversidades, necessita de formação continuada, permitindo que os conhecimentos da sua disciplina sejam significativos para a formação de sujeitos críticos e empoderados. Dessa forma, nossos alunos terão muito mais do que um diploma, mas sim, o acesso a um conjunto de saberes que efetivamente os prepare para os dilemas e desafios da sociedade contemporânea.

domingo, 17 de abril de 2011

SOCIOLOGIA

      Sociologia é uma das Ciências Humanas que tem como objetos de estudo a   sociedade, a sua organização social e os processos que interligam os indivíduos em grupos, instituições e associações. Enquanto a Psicologia estuda o indivíduo na sua singularidade, a Sociologia estuda os fenômenos sociais, compreendendo as diferentes formas de constituição das sociedades e suas culturas.
O termo Sociologia foi criado por Auguste Comte em 1838 (séc. XVIII), que pretendia unificar todos os estudos relativos ao homem — como a História, a Psicologia e a Economia. Mas foi com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber que a Sociologia tomou corpo e seus fundamentos como ciência foram institucionalizados.
A Sociologia surgiu como disciplina no século XVIII, como resposta acadêmica para um desafio que estava surgindo: o início da sociedade moderna. Com a Revolução Industrial e posteriormente com a Revolução Francesa (1789), iniciou-se uma nova era no mundo, com as quedas das monarquias e a constituição dos Estados nacionais no Ocidente. A Sociologia surge então para compreender as novas formas das sociedades, suas estruturas e organizações.
A Sociologia tem a função de, ao mesmo tempo, observar os fenômenos que se repetem nas relações sociais – e assim formular explicações gerais ou teóricas sobre o fato social –, como também se preocupa com eventos únicos, como por exemplo, o surgimento do capitalismo ou do Estado Moderno, explicando seus significados e importância que esses eventos têm na vida dos cidadãos.
Como toda forma de conhecimento intitulada ciência, a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. O conhecimento sociológico, por meio dos seus conceitos, teorias e métodos, constituem um instrumento de compreensão da realidade social e de suas múltiplas redes ou relações sociais.
Os sociólogos estudam e pesquisam as estruturas da sociedade, como grupos étnicos, classes sociais, gênero, violência, além de instituições como família, Estado, escola, religião etc.
Além de suas aplicações no planejamento social, na condução de programas de intervenção social e no planejamento de programas sociais e governamentais, o conhecimento sociológico é também um meio possível de aperfeiçoamento do conhecimento social, na medida em que auxilia os interessados a compreenderem mais claramente o comportamento dos grupos sociais, assim como a sociedade como um todo. Sendo uma disciplina humanística, a Sociologia é uma forma significativa de consciência social e de formação de espírito crítico.
A Sociologia nasce da própria sociedade, e por isso mesmo essa disciplina pode refletir interesses de alguma categoria social ou ser usado como função ideológica, contrariando o ideal de objetividade e neutralidade da ciência. Nesse sentido, se expõe o paradoxo das Ciências Sociais, que ao contrário das ciências da natureza, as ciências da sociedade estão dentro do seu próprio objeto de estudo, pois todo conhecimento é um produto social. Se a priori isso é uma desvantagem para a Sociologia, num segundo momento percebemos que a Sociologia é a única ciência que pode ter a si mesma com objeto de indagação crítica.
Pode-se entender a Sociologia como uma das manifestações do pensamento moderno. Desde Copérnico, a evolução do pensamento era exclusivamente científico. A sociologia veio preencher a lacuna do saber social, surgindo após, a constituição das ciências naturais e de várias ciências sociais. A sua formação constitui um acontecimento complexo para o qual concorreram circunstâncias históricas e intelectuais e intenções práticas. O seu surgimento ocorre num momento histórico determinado, coincidente com os últimos momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista.
A criação da sociologia não é obra de um só filósofo ou cientista, mas o trabalho de vários pensadores empenhados em compreender as situações novas de existência que estavam em curso.
As transformações econômicas, políticas e culturas verificadas no século XVII, marca de forma indelével a Sociologia. As revoluções industrial e a francesa patrocinaram a instalação definitiva da sociedade capitalista. Somente por volta de 1830, um século depois, surgiria a palavra Sociologia, fruto dos acontecimentos das duas revoluções citadas. A Revolução Industrial, à parte a introdução da máquina a vapor e os aperfeiçoamentos dos métodos produtivos, determinou o triunfo da indústria capitalista pela concentração e controle de máquinas, terras e ferramentas onde as massas humanas eram simples trabalhadores despossuídos. Cada passo da sociedade capitalista capitaneava a desintegração e o solapamento de instituições e costumes reinantes, para constituir-se em novas formas de organização social. As máquinas não simplesmente destruíam os pequenos artesãos, como os obrigava à forte disciplina, nova conduta e relação de trabalho até então desconhecidas. Em 80 anos (entre 1780 e 1860), a Inglaterra conseguiu mudar radicalmente a sua face. Pequenas cidades passaram a grandes cidades produtoras e exportadoras. Estas bruscas transformações implicaram em nova organização social, pela transformação da atividade artesanal em manufatureira e fabril, como também pela emigração do campo para a cidade onde mulheres e crianças em jornadas de trabalho desumana percebiam salários de subsistência e constituía-se em mais da metade da força de trabalho industrial. Estas cidades se transformaram num verdadeiro caos, uma vez que sem condições para suportar um vertiginoso crescimento, deram lugar a toda sorte de problemas sociais, tais como, surtos de epidemias de tifo e cólera, vícios, prostituição, criminalidade, infanticídio que dizimaram parte das suas populações.
O fenômeno da Revolução Industrial determinou o aparecimento do proletariado e o papel histórico que ele desempenharia na sociedade capitalista. Os seus efeitos catastróficos para a classe trabalhadora geraram sentimentos de revolta traduzidos externamente na forma de destruição de máquinas, sabotagens, explosão de oficinas, roubos e outros crimes, que deram lugar à criação de associações livres e sindicatos que permitiram o diálogo de classes organizadas, cientes de seus interesses com os proprietários dos instrumentos de trabalho.
Estes importantes acontecimentos e as transformações sociais verificadas despertaram a necessidade de investigação. Os pensadores ingleses que testemunhavam estas transformações e com elas se preocupavam não eram sociólogos profissionais. Eram homens de atitude que desejavam introduzir determinadas modificações na sociedade. Participavam de debates ideológicos onde estavam presentes correntes conservadoras, liberais e socialistas, visando orientação de ações para conservar, modificar radicalmente ou reformar a sociedade de seu tempo. Isto quer dizer que os precursores da sociologia se encontravam entre militantes políticos e entre as pessoas que se preocupavam com os problemas sociais. Entre eles estavam os pensadores: Owen (1771-1858), William Thompson (1775-1833), Jeremy Bentham (1748-1832), etc., cujos escritos foram de importância capital para a formação e constituição de um saber sobre a sociedade. A Sociologia constitui uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela Revolução Industrial, como por exemplo, a situação dos trabalhadores, o aparecimento das cidades industriais, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na fábrica, etc. É a formação e uma estrutura social específica – a sociedade capitalista – que impõe uma reflexão sobre a sociedade, suas transformações, suas crises, e sobre seus antagonismos de classe.
A observação e o experimento como fontes da exploração dos fenômenos da natureza propiciaram a acumulação de fatos. O relacionamento entre estes, possibilitou o seu controle e domínio. O pensamento filosófico do século XVII contribuiu para popularizar os avanços do pensamento científico.
O uso sistemático da razão, do livre exame da realidade, representou um grande salto para libertar o conhecimento do controle científico, da tradição, da “revelação” e, conseqüentemente, para a formulação de uma nova atitude intelectual diante dos fenômenos da natureza e da cultura.
Se no século XVIII os dados estatísticos voavam, dando conta de uma produtividade desconhecida, o pensamento social também divagava rumo a novas descobertas. Se o processo histórico possui lógica, pode ser compreendido e assim abrir novas pistas para o estudo racional da sociedade. É o homem que produz a história. Daí, a afirmação que a sociedade podia ser compreendida porque, ao contrário da natureza, ela constitui obra dos próprios homens.
Esta postura influenciou os historiadores escoceses da época, como David Hume (1711-1776) e Adam Ferguson (1723-1816), e seria posteriormente desenvolvida e amadurecida por Hegel e Marx. Foi também dessa época a disposição de tratar a sociedade a partir do estudo de seus grupos e não dos indivíduos isolados, em cuja corrente pertencia Adam Ferguson que foi influenciado pelas idéias de Bacon de que é a indução, e não a dedução, que nos revela a natureza do mundo, e a importância da observação enquanto instrumento para a obtenção do conhecimento. É a intensidade dos conflitos entre as classes dominantes da sociedade feudal e a burguesia revolucionária que leva os filósofos, seus representantes intelectuais, a atacarem de forma impiedosa a sociedade feudal e sua estrutura de conhecimento, e a negarem abertamente a sociedade existente.
Os iluministas, enquanto ideólogos da burguesia, com posições revolucionárias, atacavam firmemente os fundamentos da sociedade feudal e seus privilégios e as restrições que esta impunha aos interesses econômicos e políticos da burguesia.
Combinando o uso da razão e da observação, os iluministas analisaram quase todos os aspectos da sociedade (população, comércio, religião, moral, família, etc.). O objetivo do estudo era demonstrar que as instituições eram irracionais e injustas, que atentavam contra a natureza dos indivíduos e impediam a liberdade do homem, por isso deviam ser eliminadas. Para eles o indivíduo possuía razão, perfeição inata e era destinado à liberdade e à igualdade social. Reivindicavam a liberação do indivíduo de todos os laços sociais tradicionais, tal como as corporações, a autoridade feudal, etc.
O visível progresso das formas de pensar, fruto das novas maneiras de pensar e viver contribuía para afastar interpretações fundadas em superstições e crenças infundadas e abria espaço para a constituição de um saber sobre os fenômenos histórico-sociais. O “homem comum” da época também passou a deixar de encarar, cada vez mais, as instituições sociais, as normas, como fenômenos sagrados e imutáveis submetidos a forças sobrenaturais, percebendo-os como produtos da atividade humana passíveis de serem conhecidos e mudados.
A ferrenha crítica dos iluministas às instituições feudais constituía-se em claro indício da putrefação da luta que a burguesia travava no plano político contra a classe feudal dominante. Na França, as forças burguesas ascendentes colidiam com a típica monarquia absolutista que privilegiava aproximadamente quinhentas mil pessoas em detrimento de vinte e três milhões de habitantes, no final do século XVIII. Estes privilégios incluíam isenção de impostos, direito de receber tributos feudais e impedia a formação de livre-empresa e a exploração eficiente da terra e incapaz de criar uma administração padronizada através de uma política tributária racional e imparcial. A burguesia, ao tomar o poder em 1789, insurgiu-se definitivamente contra os fundamentos da sociedade feudal, ao construir um Estado que assegurasse sua autonomia diante da Igreja e que incentivasse e protegesse a empresa capitalista. Aconteceu aí uma liquidação do regime antigo. Em menos de um ano a antiga estrutura e o Estado monárquico estavam liquidados, inclusive abolindo radicalmente a antiga forma de sociedade e suas tradicionais instituições, arraigados costumes e hábitos, promovendo sensíveis alterações na economia, na política e na vida cultural. Neste contexto se situam a abolição das corporações e dos grêmios e a promulgação de legislação que limitava os poderes patriarcais na família, coibindo os abusos da autoridade do pai e forçando-o a uma divisão igualitária da propriedade. Confiscou propriedades da Igreja, suprimiu os votos monásticos e responsabilizou o Estado pela educação. Acabou com antigos privilégios de classe e amparou e incentivou o empresário.
O choque da revolução foi tão intenso, que após quase setenta anos de seu triunfo, o pensador francês Alexis de Tocqueville disse dela: “A revolução segue seu curso: à medida que vai aparecendo a cabeça do monstro, descobre-se que, após ter destruído as instituições políticas, ela suprime as instituições civis e muda, em seguida, as leis, os usos, os costumes e até a língua; após ter arruinado a estrutura do governo, mexe nos fundamentos da sociedade e parece querer agredir até Deus...” Este espanto também foi partilhado por outros como Durkheim, Sant-Simon, Comte, Le Play, etc.
Alguns sociólogos encararam o capitalismo com otimismo, identificando os valores e os interesses da elite como representativos do conjunto da sociedade. Partindo da percepção desses estudiosos, o funcionamento eficiente das instituições políticas e econômicas é um fenômeno essencial e as lutas de classe não passam de acontecimentos transitórios. Essa tradição sociológica que se colocou a favor da ordem instituída pelo capitalismo teve como base o pensamento conservador.

A sociologia contemporânea discrepa, a seu modo, das tentativas explicativas que a antecederam. O seu próprio desenvolvimento deu-se pelo acúmulo de teorias, mesmo de métodos e técnicas, estudos e esforços, desenvolvendo-se pensamentos, com ou sem rompimentos. A ciência avança à medida que não se faz singular. Singular talvez jamais o tenha sido, porém. Surge, sim, como ciências. Surge pelo processo que pode ser chamado pluralização enfática, dada a quaisquer ciências plurais. Avançou coadunada, tênue nas suas fronteiras dentro das ciências sociais. Mas fez-se a si construindo seu próprio escopo, ainda que às vezes o empréstimo e a cópia se revelem inevitáveis e notórios como no próprio processo científico. Mas parece perceptível seu delimite.
A sociologia desdobrou-se, fez-se afluente dentro das ciências humanas e sociais. E, como toda a ciência, seguiu métodos. Dogmatizou alguns, é verdade, mas ainda assim tantos de seus contribuintes se fizeram plurais e personalizadores.
A sociologia contemporânea parece se apresentar como um desdobramento inteligível, como outras ciências. De modo que, ao reconhecer uma obra, deve-se perguntar sempre: quais suas dúvidas? Depois que elas foram identificadas, poder-se-á dizer, mas não com sossego e descanso, que elas seguem uma lógica imanente que as conformou tais e quais.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Análise da música de Chico Buarque - Umas e Outras


Umas e Outras




Chico Buarque



 Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário                                                
RELIGIOSA
Que custa tanto a se acabar                                                
- MUNDO RELIGIOSO
Por isso às vezes ela pára
E senta um pouco pra chorar

 
Que dia! Nossa, pra que tanta conta         LAMENTAÇÃO
Já perdi a conta de tanto rezar






Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança                                           
PROSTITUTA
Onde não se escolhe o par                                                  
- MUNDO MATERIAL
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
          LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar


 




                                 
 
 Mas toda santa madrugada                       RELIGIOSA             - ANTÍTESE
Quando uma já sonhou com Deus                                          - OCULTA SOLIDÃO
E a outra, triste enamorada
Coitada, já deitou com os seus                 
PROSTITUTA
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor

Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Que dia! Puxa, que vida danada                            
LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar                   
Que dia! Cruzes, que vida comprida                     

Pra que tanta vida pra gente desanimar                


- VOLTA AO NEO-CLASSICISMO
- AS EMOÇÕES DA MULHER ESTÃO ACIMA DAS SUAS LAMENTAÇÕES

O texto estrutura-se em torno de uma figura de estilo: a antítese.
Ocorre também a tentativa de sintetizar elementos opostos: o mundo material com o mundo espiritual.
Esta é uma das características predominantes do Barroco, a busca da síntese entre matéria e espírito.
Nas últimas estrofes encontra-se também o pessimismo; A mulher religiosa e a prostituta demonstram insatisfação em relação às suas vidas.

LÍNGUA PORTUGUESA - PERÍODO HISTÓRICO DO SÉCULO XII


A cultura trovadoresca, surgida entre os séculos XI e XII, reflete bem o momento histórico que caracteriza o período: na Europa cristã, a organização das Cruzadas em direção ao Oriente; na Península Ibérica, a luta contra os mouros; o poder descentralizado e as relações entre os nobres determinados pelo feudalismo; o poder espiritual em mãos do clero católico, detentor da cultura e responsável pelo pensamento teocêntrico (Deus como centro de todas as coisas).
O Trovadorismo predomina como estilo de época na Idade Média.
A organização social da época tinha no comando a nobreza e o clero, muito unidos por interesses ideológicos. No topo, a figura do rei: intermediário entre Deus e seu povo.
O sistema político, social e econômico da época é conhecido como feudalismo. O nome deriva da palavra feudo, que consistia de uma aldeia e centenas de acres de terra arável que a circundavam. Nessas terras, o povo trabalhava.
O senhor feudal, era dono das terras e das pessoas que nela trabalhavam. Sendo assim, conservava o poder sobre a força de trabalho dessas. Por isso, o povo vivia sob regime de servidão. 
Para proteger sua propriedade, o senhor feudal contratava guerreiros que eram pagos não em dinheiro, mas através de concessão de terras.
Surgiu daí um sistema de compensação: o guerreiro protegia o feudo e o senhor fornecia-lhe pequenas extensões de terra.
Desse sistema despontou a figura do vassalo que vivia sob a dependência do senhor e do qual o senhor também dependia para manter sua segurança, fortuna e prestígio. A essa dependência entre senhor e vassalo dá-se o nome de vassalagem.
A influência da Igreja tinha grande força sobre o comportamento das pessoas. Segundo a Igreja, o mundo terreno era considerado apenas como um espaço de preparação para a vida eterna. Por esse motivo vivia-se em função da morte. A renuncia aos bens materiais e aos prazeres mundanos era a condição exigida para alcançar a salvação eterna. A salvação da alma constituía-se na preocupação maior do homem medieval.
A Igreja domina o mundo e os valores da religião cristã impregnam todos os aspectos da vida medieval, inclusive a literatura.
O século XII marca o início da literatura portuguesa...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PROFESSOR: PROFISSÃO QUE ENOBRECE E ADOECE...


Mais um dia dos professores. Com alegria e melancolia.
Alegria porque é sim uma profissão maravilhosa. Cheia de satisfações..
Melancolia, porque é também cheia de frustações e lamúrias...
Você observa os professores que conhece e olha pra eles como fracassados; como se não tivessem conseguido fazer mais nada na vida. Todos acham uma profissão nobre, mas ninguém a deseja para seus filhos.
Alguns dizem que já foi uma profissão muito valorizada! Para mocinhas delicadas que procuravam um bom marido?
Não sou Tia e nem professorinha... Sou PROFESSORA !!!
Trabalho mergulhada no universo infantil; um mergulho dedicamente planejado para alcançar o aprendizado das crianças.
Educação é ciência. Tem planejamento, método, estratégia, hipótese, avaliação.
Trabalhamos com dificuldade. Não é à toa que tantos professores estão doentes quando não fisicamente , emocionalmente estagnados pelo conformismo e desmotivação.
Há razões para isso que vão além da falta de uma formação qualificada. Os professores se tornaram profissionais de segunda linha,marginalizados. Valem menos, ganham pouco. São ansiosos e estressados. Isso porque o dia-a-dia de uma escola é cansativo e carregado. Uma responsabilidade imensa está sobre seus ombros e quem quiser ter sucesso tem que caminhar com as próprias pernas, suportando o que houver. Ás vezes isso envolve assédios morais, pequenas corrupções, violência física e moral.
Se você quer ser um professor competente e inovador, deve se virar como pode; comprar material para incrementar suas aulas, usar o seu tempo livre para planejar, pesquisar e prepará-las correndo o risco de ser mal visto por outros colegas por essa iniciativa. Afinal, é um paradoxo: quanto mais fazemos coisas de forma “voluntariosa” para atingirmos o objetivo traçado por nossos planejamentos, mas reforçamos a ideia muito presente na sociedade de que a profissão exige uma espécie de “sacerdócio”. Ao mesmo tempo, se não fazemos tudo isso e trabalhamos apenas com a estrutura que nos é oferecida pelo sistema educacional somos vistos como “mal formados” ou com pouca “força de vontade”.
Essa é a realidade do professor. Tantas coisas dão errado que o profissional não consegue sequer enxergar que teve sucessos. Lida apenas com a frustração e a culpa que são enormes.
Ninguém é capaz de educar sozinho em uma sala de aula; a escola toda educa; a sociedade educa; a família educa, a televisão educa. Mas só os professores são responsabilizados pelo insucesso na educação das crianças e jovens.
Você ensina conteúdos e valores todos os dias. Sofre com a carga emocional que lhe é depositada pelos alunos que muitos vezes têm em você o único referencial de adulto. E ao sair pela porta da escola a sociedade ensina que quem é mais esperto leva a melhor, que a injustiça é a pauta nossas relações e que estudar é uma tarefa inútil e cansativa.
"Mas a culpa é dos professores". A revista semanal não perde a oportunidade de dizer o quanto os professores são incompetentes, equivocados e acomodados.
"Mas o professor não ganha um “bônus” se não faltar e se o aluno aprender?"
E para o aluno aprender é preciso apenas ter um professor na sala ( mesmo que esteja doente, que um parente tenha morrido ou que esteja emocionalmente comprometido)? De novo, a responsabilidade é unicamente do professor, independente das condições que lhe são oferecidas para realizar o seu trabalho... 
Ainda assim, estou há quase 15 anos na educação, sempre traballhando na sala de aula. Trabalho que amo e odeio. Que me orgulha e me envergonha.
Tenho muitos amigos educadores, das mais variadas faixas etárias e penso o que seria de mim ao alcançar os 25 anos que me garantiriam uma aponsentadoria especial. Os que chegam nessa etapa garantindo sua sanidade mental são realmente vitoriosos.
 Alguns colegas que alcançaram ou estão prestes a alcançar essa vitória me inspiram. São mais do que guerreiros de verdade, são sobreviventes.
O trabalho na sala de aula é prejudicial à saúde: As condições físicas, estruturais, a quantidade excessiva de alunos por turma , de ruídos, de malefícios à saúde são incalculáveis...
Outros  colegas estão começando sua trajetória  e trazem a esperança e força de vontade estampados num brilho no olhar que me emociona e entristece, pois me lembra que ao longo desses anos vi morrer esse brilho nos olhos de muitos e sinto que ele se apaga nos meus olhos um pouquinho a cada dia...
Penso muito sobre como esses paradoxos e entraves que estagnam a educação brasileira poderiam ser revertidos. E ainda penso em dedicar a minha vida nessa busca.
Como podem políticas educacionais criadas em gabinetes, elaboradas por pessoas distantes da realidade das escolas ser funcional?
Os acadêmicos entram nas escolas para “ensinar” aos professores aquilo que eles já fazem todos os dias. Mas os acadêmicos acham que é pouco, que é ruim e pronto; que professor é folgado. Ignoram seus conhecimentos; esnobam suas altas formações; lidam com os professores desacreditando de forma generalizada de suas práticas e esforços...
Como os professores podem simplesmente implementar políticas que não foram discutidas por eles? Como podem aplicar inovações que não foram debatidas, adaptadas e que, geralmente  estão fora da sua realidade de trabalho e de suas ações ? Quem acredita que isso dará certo?
Por que não somos ouvidos sobre aquilo que conhecemos melhor do que ninguém, que é a realidade das escolas e das salas de aula desse país?
Ser professor no Brasil é uma tarefa árdua e sofrida.
Não é sacerdócio; não é só vocação; não é só amor;
É convicção, coragem, batalha e muito, muito trabalho.

DESCONHEÇO A AUTORIA. AUTOR FAVOR ENTRAR EM CONTATO PARA O RECEBIMENTO DOS DEVIDOS CRÉDITOS.
ESSE TEXTO REFLETE EXATAMENTE O QUE A GRANDE MAIORIA DOS PROFESSORES SENTEM NA PELE!!!!!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A DIDÁTICA E A FORMAÇÃO DE EDUCADORES

DA EDUCAÇÃO À NEGAÇÃO: A BUSCA DA RELEVÂNCIA

O processo de formação de educadores, inclui componentes curriculares criados para o tratamento de atividades educativas, da prática pedagógica. A Didática tem um papel de destaque entre estes componentes.
A análise da atuação da Didática na formação de educadores, tem levantado uma grande discussão. Alguns estudiosos afirmam que a Didática, quando não é inofensiva, pode ser prejudicial.
Para que esse assunto seja entendido deve ser estudado dentro do contexto em que se encontra, ou seja, tem que ser analisado dentro do conjunto educacional e politico social.

A Didática estuda o processo de ensino-aprendizagem, este processo está sempre presente, de forma direta ou indireta, no relacionamento humano.
De acordo com a abordagem humanista, a relação entre pessoas está no centro do processo de ensino-aprendizagem, já que, o crescimento afetivo leva ao crescimento pessoal.
Na abordagem técnica a aquisição de melhores condições de trabalho, tais como: seleção de conteúdo, novas estratégias de ensino, irão melhorar o processo de ensinar-aprender. Lembrando que esta abordagem, vista separadamente, passa a ser tecnicista.
O processo de ensino-aprendizagem está ligado ao processo político-social, porque sempre ocorre em uma cultura específica, tratando com pessoas concretas que têm posição de classe definidade na organização social em que vivem.

Vera Maria Candau relata sua experiência como professora de Didática, desde 1963. Ela cursou a Licenciatura em Pedagogia na PUC/RJ, de 1959 a 1962, no ano seguinte começou a lecionar Didática na mesma Universidade. 
O núcleo de inspiração dos primeiros trabalhos de Vera, como professora de Didática, foi a sua experiência como aluna. O tema básico, era os princípios para uma escola nova, baseados no Plano de Dalton.
No final da década de 50 e início da década de 60, o país se encontrava em discussão acerca da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que mobilizava a área educacional.
Nesse período a Didática fazia o discurso da Escola Nova, mas o problema maior estava em superar a Escola Tradicional, para reformar internamente a escola.
A Escola Nova tinha como centro de interesse o próprio aluno, ou seja, o interesse de aprendizagem partia do próprio aluno. Na Escola Nova o aluno "aprende fazendo" e "aprende a aprender", com técnicas novas, com respeito à sua individualidade.

A Escola Nova, com "humanismo moderno" teve seu predomínio em 1945 e se estendeu até 1960, a partir de 1960 a 1968, dá-se início à tendência tecnicista.
Nesse momento, o ensino da Didática assume um panorama idealista e centrado na demensão técnica do processo de ensino-aprendizagem. É considerado idealista porque a análise da prática pedagógica da maioria das escolas não é objeto de reflexão. Considerada "tradicional", justifica-se pela "ignorância" dos professores que, uma vez conhecedores dos princípios e técnicas escolanovistas, a transformariam.

Após 1964, a visão "industrial" penetra o campo da Educação e a Didática é tida como estratégia para o alcance dos "produtos" previstos para o processo de ensinar-aprender.
Na perspectiva da tecnologia educacional a Didática se centra na organização das condições no planejamento do ambiente, na elaboração dos materiais instrucionais. A objetividade e racionalidade do processo são enfatizados.

A partir da métade da década de 70, a crítica às perspectivas anteriormente assinaladas, se acentuou. Essa crítica teve aspecto positivo: a denúncia da falsa neutralidade do técnico e o desvelamento dos reais compromissos político-sociais das afirmações aparentemente "neutras" a afirmação da impossibilidade de uma prática pedagógica que não seja social e politicamente orientada de uma forma implícita ou explícita.

A afirmação da dimensão política da prática pedagógica é acompanhada da negação da dimensão técnica, vista como vinculada a uma perspectiva tecnicista.
Novamente as diferentes dimensões do processo de ensino-aprendizagem são contrapostas, a afirmação de um levando à negação das demais. Afirmar a dimensão política e estrutural da educação, supõe a negação do seu caráter pessoal.

A crítica à visão exclusivamente instrumental da Didática não pode se reduzir à sua negação. Competência técnica e competência política não são aspectos que se contrapõe. A prática pedagógica, na condição de política, exige a competência técnica. As demensões política, técnica e humana da prática pedagógica se exigem mutuamente.

De acordo com Vera Maria Candau, o desafio do momento é a superação de uma Didática exclusivamente instrumental e a construção de uma Didática fundamental. 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

POLITICAS EDUCACIONAIS

Os eixos norteadores da política educacional do Governo Militar:

- Controle político e ideológico da educação escolar, de acordo com a correlação de forças existentes em todos os níveis nas diferentes conjunturas da época;

- O estabelecimento de uma relação direta e indireta entre educação e produção capitalista, mostrando-se mais evidente na reforma do 2º grau, através da pretensa profissionalização;

- Incentivo à pesquisa ligada à acumulação de capital;

- O Descompromisso com o financiamento da educação pública e gratuita, negando o discurso da valorização da educação e concorrendo decisivamente para a corrupção e privatização do ensino, sendo transformado em negócio de grande renda subsidiado pelo Estado. Sendo assim, o regime delega e dá incentivo à participação do setor privado na expansão do sistema educacional, desqualificando a escola pública de 1º e 2º graus.

Na tentativa de melhorar o ensino superior foram criados alguns sistemas tais como: 

- A introdução de uma espécie de vestibular classificatório;
- Adoções do sistema de crédito; 
- Período letivo semestral;

A Lei nº. 5.540/68, “Lei da Reforma Universitária” foi baseada nos estudos do Relatório Atcon (Rudolph Atcon, teórico norte-americano) e no Relatório Meira Matos (coronel da escola superior de Guerra) e aprovada de cima para baixo.  A reforma acaba com a cátedra, unifica o vestibular passando a ser classificatório, aglutina as faculdades em universidade, visando uma maior produtividade com a concentração de recursos, cria o sistema de créditos, permitindo a matrícula por disciplina, além de, segundo Aranha (1996, p. 214), a nomeação dos reitores e diretores de unidade (esta agora dividida em departamentos) dispensa a necessidade de ser do corpo docente da universidade, podendo ser qualquer pessoa de prestígio da vida pública ou empresarial.
As mudanças no ensino superior brasileiro foram muitas e rápidas nos anos 60, até a localização geográfica das instituições foram alteradas, as faculdades públicas situadas nos pontos centrais das cidades foram transferidas para os campi no subúrbio, pois consideravam adequado para atenuar e apaziguar a militância política dos estudantes. Enquanto que as faculdades particulares faziam exatamente o inverso.
Mesmo com tantas mudanças no ensino superior brasileiro na década de 60, persiste a seletividade, em decorrência da dualidade do ensino, onde a elite bem preparada ocupa as vagas nas melhores universidades, restando as faculdades privadas de baixo nível para os menos privilegiados.

Assim, entende-se que são necessárias mudanças no modelo universitário hoje apresentado, porém não se pode esquecer que este modelo é resultado da reforma universitária da década de 1960 e principalmente em decorrência do modelo sócio-político-econômico adotado pelo Brasil nas últimas décadas. A reforma universitária hora proposta pelo governo atual, não contempla as reivindicações dos estudantes, professores e técnicos estando a serviço da manutenção do status quo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

TEXTO, COERÊNCIA E COESÃO


- Halliday e Hasan (1976) afirmaram que a coesão tem a ver com o modo como o texto está estruturado semanticamente. A coesão é a relação semântica entre dois elementos do texto, de modo a ser interpretado por referência ao outro, pressupondo-o.

- Charolles (1978), afirma que coerência e linearidade textual estão relacionados, ou seja, "não se pode questionar a coerência de um texto sem levar em consideração a ordem que aparecem os elementos que o constituem.

- Widdowson (1978) diz que a coesão "é o modo pelo qual as frases ou partes delas se combinam para assegurar um desenvolvimento proposicional..." e revela-se por indices formais, sintáticos, sem apelo ao pragmático. A coerência seria a relação entre os atos ilocucionários que as proposições realizam. É diretamente ligada ao desenvolvimento ilocucional.

- Para Franck (1980), o termo coerência designa "a conexão formal e de conteúdo entre elementos sequenciais que coloca estes elementos em relação uns com os outros e os insere numa forma de organização superior como, por exemplo, nomes em uma lista, frases em texto, atos de fala numa sequência".

- Beaugrande e Dressler (1981), a coesão é a maneira como os constituintes da superfície textual se encontram relacionados entre si, numa sequência, através de marcas linguísticas; é a ligação entre os elementos superficiais do texto. Já a coerência tem como fundamento a continuidade de sentidos, dizendo respeito ao modo como os componentes do mundo textual, isto é, a configuração de conceitos e relações subjacentes à superfície  do texto, são mutuamente acessíveis e relevantes.

- Van Dijk (1981) e Van Dijk e Kintsch (1983), o termo coerência pode ser usado em sentido geral para denotar que alguma forma de relação em sentido ou unidade no discurso pode ser estabelecida.

- Bernárdez (1982), citando Salomon Marcus (1980), diz que a coerência significa uma certa capacidade de atuar como unidade e que coesão se refere à existÊncia de conexão entre as diferentes partes.

- Marcuschi (1983), a coesão refere-se à estrutura da sequÊncia superficial do texto e à sua organização linear sob o aspecto estritamente linguístico. Coerência é o resultado de processos cognitivos operantes entre os usuários de textos.

- Tannim (1984) define coesão como o conjunto de nexos da superfície textual que indicam as relações entre os elementos de um texto; e coerência, em termos de organização de estruturas subjacentes, que fazem com que palavras e sentenças componham um todo significativo para os participantes de uma ocorrência discursiva.