Pular para o conteúdo principal

A DIDÁTICA E A FORMAÇÃO DE EDUCADORES

DA EDUCAÇÃO À NEGAÇÃO: A BUSCA DA RELEVÂNCIA

O processo de formação de educadores, inclui componentes curriculares criados para o tratamento de atividades educativas, da prática pedagógica. A Didática tem um papel de destaque entre estes componentes.
A análise da atuação da Didática na formação de educadores, tem levantado uma grande discussão. Alguns estudiosos afirmam que a Didática, quando não é inofensiva, pode ser prejudicial.
Para que esse assunto seja entendido deve ser estudado dentro do contexto em que se encontra, ou seja, tem que ser analisado dentro do conjunto educacional e politico social.

A Didática estuda o processo de ensino-aprendizagem, este processo está sempre presente, de forma direta ou indireta, no relacionamento humano.
De acordo com a abordagem humanista, a relação entre pessoas está no centro do processo de ensino-aprendizagem, já que, o crescimento afetivo leva ao crescimento pessoal.
Na abordagem técnica a aquisição de melhores condições de trabalho, tais como: seleção de conteúdo, novas estratégias de ensino, irão melhorar o processo de ensinar-aprender. Lembrando que esta abordagem, vista separadamente, passa a ser tecnicista.
O processo de ensino-aprendizagem está ligado ao processo político-social, porque sempre ocorre em uma cultura específica, tratando com pessoas concretas que têm posição de classe definidade na organização social em que vivem.

Vera Maria Candau relata sua experiência como professora de Didática, desde 1963. Ela cursou a Licenciatura em Pedagogia na PUC/RJ, de 1959 a 1962, no ano seguinte começou a lecionar Didática na mesma Universidade. 
O núcleo de inspiração dos primeiros trabalhos de Vera, como professora de Didática, foi a sua experiência como aluna. O tema básico, era os princípios para uma escola nova, baseados no Plano de Dalton.
No final da década de 50 e início da década de 60, o país se encontrava em discussão acerca da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que mobilizava a área educacional.
Nesse período a Didática fazia o discurso da Escola Nova, mas o problema maior estava em superar a Escola Tradicional, para reformar internamente a escola.
A Escola Nova tinha como centro de interesse o próprio aluno, ou seja, o interesse de aprendizagem partia do próprio aluno. Na Escola Nova o aluno "aprende fazendo" e "aprende a aprender", com técnicas novas, com respeito à sua individualidade.

A Escola Nova, com "humanismo moderno" teve seu predomínio em 1945 e se estendeu até 1960, a partir de 1960 a 1968, dá-se início à tendência tecnicista.
Nesse momento, o ensino da Didática assume um panorama idealista e centrado na demensão técnica do processo de ensino-aprendizagem. É considerado idealista porque a análise da prática pedagógica da maioria das escolas não é objeto de reflexão. Considerada "tradicional", justifica-se pela "ignorância" dos professores que, uma vez conhecedores dos princípios e técnicas escolanovistas, a transformariam.

Após 1964, a visão "industrial" penetra o campo da Educação e a Didática é tida como estratégia para o alcance dos "produtos" previstos para o processo de ensinar-aprender.
Na perspectiva da tecnologia educacional a Didática se centra na organização das condições no planejamento do ambiente, na elaboração dos materiais instrucionais. A objetividade e racionalidade do processo são enfatizados.

A partir da métade da década de 70, a crítica às perspectivas anteriormente assinaladas, se acentuou. Essa crítica teve aspecto positivo: a denúncia da falsa neutralidade do técnico e o desvelamento dos reais compromissos político-sociais das afirmações aparentemente "neutras" a afirmação da impossibilidade de uma prática pedagógica que não seja social e politicamente orientada de uma forma implícita ou explícita.

A afirmação da dimensão política da prática pedagógica é acompanhada da negação da dimensão técnica, vista como vinculada a uma perspectiva tecnicista.
Novamente as diferentes dimensões do processo de ensino-aprendizagem são contrapostas, a afirmação de um levando à negação das demais. Afirmar a dimensão política e estrutural da educação, supõe a negação do seu caráter pessoal.

A crítica à visão exclusivamente instrumental da Didática não pode se reduzir à sua negação. Competência técnica e competência política não são aspectos que se contrapõe. A prática pedagógica, na condição de política, exige a competência técnica. As demensões política, técnica e humana da prática pedagógica se exigem mutuamente.

De acordo com Vera Maria Candau, o desafio do momento é a superação de uma Didática exclusivamente instrumental e a construção de uma Didática fundamental. 

Postagens mais visitadas deste blog

ATITUDE CIENTÍFICA E SENSO COMUM

Existe grande diferença entre as certezas cotidianas e a atitude científica. As opiniões cotidianas formam o senso comum, criam certezas que são transmitidas de geração a geração, e muitas vezes, se tornam uma verdade inquestionável.

"OS ALUNOS DE HOJE NÃO SÃO COMO OS ALUNOS DE ANTIGAMENTE" RUBEM ALVES

Os alunos de hoje, não são mais tão passivos como os alunos de algum tempo atrás. Quando falamos em passividade, é no sentido da não aceitação dos métodos impostos pelos professores. Os alunos da atualidade estão sempre questionando, buscando mudanças e interagindo com os professores. Portanto, podemos dizer que aquele aluno que não questiona, não emite as suas opiniões e não trabalha por mudanças, simplesmente não está exercendo as suas funções de ALUNO atuante. Está mais para um "bem-te-vi" recebendo diploma de professor "urubu".
**VALE RESSALTAR: O texto refere-se a alunos de verdade e não arruaceiros disfarçados de alunos...