Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Augusto Cury

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Jornalismo Cultural



Livro: Jornalismo Cultural
De: Daniel Piza

Por Sergio Areda

O livro Jornalismo Cultural, do autor Daniel Piza, é composto de 4 capítulos denominados respectivamente:  Pontos luminosos, De pólos e tribos, Contraclichê, Aqueles foram os dias. Cada capítulo contém textos bem elaborados e concisos, que explicam o que é jornalismo cultural.
O primeiro capítulo, Pontos luminosos, relata a história do jornalismo cultural que data de 1711, período em que os ensaístas ingleses Richard Steele e Joseph Addison fundaram a revista The Spectator. Frequentemente Richard Steele e Joseph Addison relatavam a difícil adaptação do homem do campo quando chegava a Londres, ou seja, um jornalismo cultural direcionado à avaliação de ideias, valores e artes, pós-renascimento, interesse em mudar a filosofia e a formalidade das escolas, faculdades entre outras instituições.
Em Pontos luminosos o autor descreve Dr. Johnson como o primeiro grande crítico cultural, pai de todos os críticos europeus, americanos e, até mesmo, brasileiros. Este capítulo é encerrado com o relato do jornalismo cultural no Brasil, composto de lances peculiares, os jornais e revistas dão mais espaço ao crítico profissional e informativo que não só analisa, mas reflete sobre a cena literária.
Em “De pólos e tribos”, o autor destaca o jornalismo cultural brasileiro a partir da chegada da arte moderna (séc. XX) e a crise das transformações de identidade que, por sua vez, encaixa nas teorias defendidas por Walter Benjamim, Theodor, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Leo Lowenthal, Fraz Neumann, Friedrich Pollok, Erich Fromn dentre outros pensadores da Escola de Frankfurt, como “indústria cultural”. Daniel Piza faz essas observações a respeito de estratégias didáticas que o profissional de comunicação tem que ter. Isto é, estar atento ao mercado para não usar de preconceito e parcialidade no campo jornalístico. O autor utiliza o termo “preconceito às avessas” para analisar a cultura. A colocação que Piza faz se refere à forma que as pessoas associam a cultura: “ainda pertencente à elite, interfase intelectual, coisa inatingível e complicada”. O mesmo critica os meios de comunicação, bem como os cadernos diários que, de forma crescente, valorizam as celebridades, ao apresentar material que dominam as tabelas de consumo cultural, banalizando a cultura.
Ainda neste capítulo, Daniel Piza faz referência, também, aos cadernos semanais, onde a crítica está superficial e limitada em classificações como bom, muito bom, excelente ou ruim; celebridades e baixa qualidade de avaliação de produtos são temas que se tornaram frequentes nos jornais e revistas; desencorajamento em escrever sobre obras que são de qualidade e menos conhecidas, as que não pertencem à massa. Além disso, os chamados Segundos Cadernos precisam escapar das oposições, como elitismo e populismo, variedades e erudições, nacional e internacional. É necessário um equilíbrio entre esses temas: nutrir da expansão de horizontes do conhecimento, conhecer as diferentes culturas estrangeiras, sem esquecer, da nacional.
O terceiro capítulo traz exemplos de duas histórias que envolvem festivais artísticos, além de apresentar características inerentes a um bom texto crítico e um bom crítico: clareza, coerência e agilidade e também deve informar ao leitor. É mostrado também um exemplo de uma resenha na íntegra, do que pode desinteressar o leitor.
Um tópico importante no livro é que o autor apresenta dez dicas para profissionais que pretendem fazer uma boa reportagem ou entrevista. Daniel Piza comenta que muitos pensam que o jornalista cultural leva uma “doce vida”, mas não é exatamente assim, estes profissionais correm riscos, como o de confundir a amizade com a crítica, generalizar demais, atacar o autor, e não a obra.
No quarto e último capítulo Daniel Piza descreve suas experiências como jornalista cultural. O autor expressa que a cultura não é somente o erudito, o que se engloba no culto, mas também o popular e o pop. Piza ressalta que há uma vasta variedade de cultura no Brasil, que possui uma gama de material cultural, o que possibilitaria a produção de muitas matérias por dia. De forma realista, o autor retrata, através de textos ricos, dados que evidenciam o que é jornalismo cultural. O autor busca o princípio do interesse pelos assuntos culturais, e induz o leitor a uma reflexão do que é realmente cultura, o que a maioria das pessoas entende como cultura, e o que o jornalista deve se apropriar para mediar essa cultura à sociedade.
Piza sempre se refere à banalização de temas culturais, sem perder a oportunidade de fazer alusão sobre a televisão brasileira e às músicas pop, isto é, a cultura massiva em geral. Para Daniel Piza jornalismo cultural não é somente levar ao leitor um informativo qualificado, mas também fazer crítica construtiva ao mundo da cultura.
Em suma, o jornalista tem que saber produzir um texto que tanto o intelectual quanto o leigo possa assimilar.


REFERENCIA


PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2007.

sábado, 30 de maio de 2015

CRIMINOLOGIA: A SERVIÇO DA JUSTIÇA


O sistema criminal brasileiro vem enfrentando uma grave crise. Esta afirmação é comprovada em muitos trabalhos científicos que analisam a capacidade atual do funcionamento deste sistema.
 Não há vagas para todos os presos nas penitenciárias, o que faz com que muitos fiquem instalados em condições subumanas nas delegacias de polícia. Ainda existe uma infinidade de mandados de prisão expedidos e não cumpridos. Se assim ocorresse, não haveria vagas para todos.
            Nos planos legislativo, executivo e judicial, o que se encontra é grande dificuldade no manejo das respectivas funções de cada agente público envolvido.
            O representante do Ministério Público (MP) que atua na área criminal é um agente importante no sistema criminal brasileiro. É a intervenção do MP que dá impulso à maior parte dos processos criminais no Brasil e sua ação eficaz em situações como o combate das atividades ilícitas das facções criminosas, não pode ser esquecida pela Criminologia.
No entanto, qual é a contribuição da Criminologia para as ações do Ministério Público? No estudo do sistema criminal, a Criminologia tem um papel central de mostrar a realidade criminal como, verdadeiramente, ela é, sem as distorções e os subjetivismos, próprios da análise de cada órgão de combate à criminalidade.
Nesse sentido, o objetivo deste estudo é investigar a história, conceitos e definições da Criminologia, sua atuação enquanto Ciência, e ainda, sua contribuição para o efetivo trabalho do Ministério Público.

 
I – CRIMINOLOGIA

            De acordo com Bujan (1999), a função essencial da Criminologia Moderna consiste em analisar o fenômeno do crime em interação social, inclinando-se a ser uma ferramenta para a preservação dos direitos humanos e das garantias fundamentais dos cidadãos.

1.1 – O que é Criminologia?

Etmologicamente o termo deriva do latim crimino (crime) e do grego logos (estudo). Portanto, é o "estudo do crime".
Uma das características mais destacadas da Criminologia Moderna - e do perfil de sua evolução nos últimos anos - é a progressiva ampliação e problematização do seu objeto.  Quando surgiu, a criminologia buscava explicar a origem do ato criminal, fazendo uso do método das ciências naturais, a etiologia, ou seja, buscava a causa do delito. Crendo que erradicando a causa se eliminaria o efeito.
Cabe falar, desde logo, de uma ampliação do seu objeto porque as investigações criminológicas tradicionais versavam quase que exclusivamente sobre a pessoa do delinquente e sobre o delito. Em consequência, o atual redescobrimento da vítima e os estudos sobre o controle social do crime representam uma positiva extensão da análise científica para âmbitos outrora desconhecidos. E essa ampliação tem, sobretudo, uma leitura "qualitativa": exprime um significativo deslocamento dos centros de interesses criminológicos (da pessoa do delinquente e do delito à vítima e à prevenção e controle social) e, inclusive, uma nova autocompreensão da Criminologia, que assume um enfoque mais dinâmico, pluridimensional e interacionista.
A Criminologia é uma ciência empírica que se baseia na observação, nos fatos e na prática, mais que em opiniões e argumentos, é interdisciplinar e não só se ocupa do crime, senão também do delinquente, da vítima e do controle social do delito. Como interdisciplinar, por sua vez é formada por outra série de ciências e disciplinas, tais como a biologia, a psicopatologia, a sociologia, política, a antropologia, o direito, a filosofia dentre outras.

1.2 – Criminologia: história e conceito

A Criminologia é dividida em escola clássica (Beccaria, séc XVIII), escola positiva (Lombroso, séc, XIX) e escola sociológica (final do séc XIX).
A partir de meados do século XX, apresenta-se uma mudança de paradigma na ciência criminológica fixando sua atenção nos processos de criminalização, no ambiente social, mas estuda também a vítima.
No âmbito acadêmico a Criminologia começa com a publicação da obra de Cesare Lombroso chamada "L'Uomo Delinquente", em 1876. Sua tese principal era a do delinquente nato.
Baseado em Rousseau, a função da Criminologia era procurar a causa do delito na sociedade; Já, segundo Lombroso, para erradicar o delito era necessário encontrar a eventual causa no próprio delinquente e não no meio.
Enquanto um extremo procurava todas as causas da criminalidade na sociedade, o outro investigava o arquétipo do criminoso nato, ou seja, um delinquente com determinados traços morfológicos.
No entanto, com o passar do tempo e o avanço de estudos sobre o assunto, tanto as tendências sociológicas, quanto as orgânicas fracassaram.
Atualmente fala-se no elemento biopsicossocial. Volta a tomar força os estudos de endocrinologia, que associam a agressividade do delinquente à testosterona (hormônio masculino), os estudos de genética ao tentar identificar no genoma humano um possível conjunto de "genes da criminalidade" (fator biológico ou endógeno), e ainda há os que atribuem a criminalidade meramente ao ambiente, como fruto de transtornos como a violência familiar, a falta de oportunidades, etc.
Como em outras ciências, também em Criminologia se tem tentado eliminar o conceito de "causa", substituindo-o pela ideia de "fator". Isso implica no reconhecimento de não apenas uma causa, mas, sobretudo, de fatores que possam desencadear o efeito criminoso (fatores biológicos, psíquicos, sociais...). Uma das funções principais da Criminologia é estabelecer uma relação estreita entre três disciplinas consideradas fundamentais: a psicopatologia, o direito penal e a ciência político-criminal.
Outra atribuição da Criminologia é, por exemplo, elaborar uma série de teorias e hipóteses sobre as razões para o aumento de um determinado delito. Os peritos em criminologia se encarregam de dar esse tipo de informação a quem elabora a política criminal, os quais, por sua vez, idealizarão soluções, proporão leis, etc. Esta última etapa se faz através do direito penal. Posteriormente, outra vez mais, o criminólogo avaliará o impacto produzido por essa nova lei na criminalidade.
Interessam ao criminólogo as causas e os motivos para o fato delituoso. Normalmente ele procura fazer um diagnóstico do crime e uma tipologia do criminoso, assim como uma classificação do delito cometido. Essas causas e motivos abrangem desde avaliação do entorno prévio ao crime, os antecedentes vivenciais e emocionais do delinquente, até a motivação pragmática para o crime.

1.3 - Criminologia enquanto Ciência e Disciplina

A Criminologia é uma ciência moderna, sendo um modo específico e qualificado de conhecimento e uma sistematização do saber de várias disciplinas. A partir da experimentação desse saber multidisciplinar surgem teorias (um corpo de conceitos sistematizados que permitem conhecer um dado domínio da realidade).
Segundo Mannheim (1985) a Criminologia é uma ciência que, reúne informações válidas, confiáveis e contrastadas sobre o problema criminal, que são obtidas graças a um método que se baseia na análise e observação da realidade. Não se trata, pois, de uma "arte" ou de uma "práxis", senão de uma genuína "ciência". Precisamente por isso a Criminologia dispõe de um objeto de conhecimento próprio, de métodos e de um sólido corpo doutrinário sobre o fenômeno delitivo, confirmado, por certo, ou seja, enquanto ciência, a Criminologia possui objeto próprio e um rigor metodológico que inclui a necessidade de experimentação, a possibilidade de refutação de suas teorias e a consciência da transitoriedade de seus postulados. Ainda que interdisciplinar é também ciência autônoma, não se confundindo com nenhuma das áreas que contribuem para a sua formação e sem deixar considerar o jogo dialético da realidade social como um todo.
No entanto, Mannheim (1985) afirma que, isso não significa que a informação subministrada pela Criminologia deva ser reputada exata, concludente ou definitiva. Pois a Criminologia é uma ciência empírica, uma ciência do "ser", não uma ciência "exata".
A Criminologia, em primeiro lugar, não esgota sua tarefa na mera acumulação de "dados" sobre o delito, e sim deve transformar estes dados em informação, interpretando-os, sistematizando-os e valorando-os. Porque não existe o terreno neutro e pacífico do dado, salvo que se confunda o método empírico com o empirismo crasso ou que se invoque aquele como base de decisões ideológicas já adotadas. O "conhecimento" científico da realidade, por outro lado, é sempre parcial, fragmentado, provisório, fluido e os campos próprios das diversas disciplinas que versam sobre o homem e a sociedade, estreitamente relacionados entre si, se ampliam e se modificam sem cessar.
De sorte que o saber empírico, outrora paradigma de exatidão, tornou-se cada vez mais relativo e inseguro: é um saber provisório, aberto. Já não visa descobrir as férreas leis universais que regem o mundo natural e social (relações de causa e efeito), senão que parece conformar-se com conseguir uma informação válida, confiável, não refutada, sobre a realidade. Não busca exatidão, senão probabilidade, não fala de "causa" e "causalidade", senão de outros tipos de conexões menos exigentes (fatores, variáveis, correlações etc.).
Em parte isso se deve à evidência de que o homem transcende à "causalidade", à "reatividade" e à "força", porque é sujeito e não objeto do acontecer e da história. E seu comportamento, sempre enigmático, corresponde a razões muito complexas e incertas. Porém a citada crise do "paradigma causal-explicativo" e das limitações do método empírico pode ser observada, também, não só no campo das ciências sociais e das da conduta, senão no das denominadas - em outra época - ciências "exatas". A moderna teoria da ciência e o crescente auge dos métodos estatísticos e quantitativos demonstram o triunfo avassalador de um novo modelo de saber científico, mais relativo, provisório, aberto e inacabado.
Em consequência, a cientificidade da Criminologia só significa que esta disciplina, pelo método que utiliza, está em condições de oferecer uma informação válida e confiável – não refutada - sobre o complexo problema do crime, inserindo os numerosos e fragmentados dados obtidos sobre ele em um marco teórico definido. A correção do método criminológico garante o rigor da análise de seu objeto, porém não pode eliminar a problematicidade do conhecimento científico nem a necessidade de interpretar os dados e formular as correspondentes teorias.
A relevância da Criminologia reside no fato de que não existe sociedade sem crime. Ela contribui para o crescimento do conhecimento científico com uma abordagem adequada do fenômeno criminal. O fato de ser ciência não significa que ela esteja alheia a sua função na sociedade. Muito pelo contrário, ela filia-se ao princípio de justiça social.

1.4 – A Criminologia é Interdisciplinar

Os estudos em Criminologia se dividem em dois ramos que não são independentes, mas sim interdependentes. Temos de um lado a Criminologia Clínica (bioantropológica) - esta faz uso do método individual, (particular, análise de casos, biológico, experimental), que envolve a indução. Por outro lado está a Criminologia Geral (sociológica), esta utiliza-se do método estatístico (de grupo, sociológico, histórico) que enfatiza o procedimento de dedução.
A interdisciplinaridade é uma perspectiva de abordagem científica envolvendo diversos continentes do saber. Ela é uma visão importante para qualquer ciência social.
A Criminologia em suas pesquisas se engaja em diálogo tanto com disciplinas das Ciências Sociais ou Humanas quanto das Ciências Físicas ou Naturais.
Entre as áreas de estudo mais próximas da Criminologia, observa-se:

  • Direito penal: o principal ponto de contato da Criminologia com o Direito Penal está no fato de que este delimita o campo de estudo da Criminologia, na medida em que define juridicamente a conduta delituosa; O Direito Penal é sancional por excelência; Ele caracteriza os delitos e, através de normas rígidas, prescreve penas que objetivam levar os indivíduos a evitar essas condutas.
  • Direito Processual Penal: a Criminologia fornece os elementos necessários para que se estipule o adequado tratamento do réu no âmbito jurisdicional. Também indica qual a personalidade e o contexto social do acusado e do crime, auxiliando os juristas para que a sentença seja mais justa. A Criminologia oferece os critérios valorativos da conduta criminosa. Esta, pesquisa a eficácia das normas do Direito Penal, bem como estuda e desenvolve métodos de prevenção e ressocialização do criminoso.
  • Direito Penitenciário: os dados criminológicos são importantes no Direito Penitenciário para permitir o correto e eficaz tratamento e ressocialização do apenado. A Criminologia ajuda a tornar a pena mais humana, buscando o objetivo de punir sem castigar.
  • Psicologia Criminal: é ciência que demonstra a dimensão individual do ato criminoso; estuda a personalidade do criminoso, orientando a Criminologia.
  • Psiquiatria Criminal: é o ramo do saber que identifica as diversas patologias que afetam o criminoso e envolve o estudo da sanidade mental.
  • Antropologia Criminal: abrange o fenômeno criminológico em sua dimensão holística, ou seja, biopsicosocial. É o Estudo do homem na sua história, em sua totalidade (homem como fator presente no todo);
  • Sociologia Criminal: demonstra que a personalidade criminosa é resultante de influências psicológicas e do meio social;
  • Ciências Biológicas: fornecem os elementos naturais e orgânicos que influenciam ou determinam a conduta do criminoso;
  • Vitimologia: estuda a vítima e sua relação com o crime e o criminoso (estuda a proteção e tratamento da vítima, bem como sua possível influência para a ocorrência do crime);
  • Criminalística: é o ramo do conhecimento que cuida da dinâmica de um crime. Estuda os fatores técnicos de como o crime aconteceu. Há um setor especializado da polícia destinado a essa área.
II – A CRIMINOLOGIA CONTRIBUINDO PARA O EFETIVO TRABALHO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA ÁREA CRIMINAL

            É sabido que cabe ao Ministério Público, como instância formal de controle do crime, a função de deduzir a acusação ou ordenar o arquivamento do processo penal. A importância do MP como instância de seleção advem do fato de este ser o canal de acesso do sistema jurisdicional de resposta ao crime e, por isso, o responsável pela ‘mortalidade’ dos caso criminais.
Segundo Sessar (apud, DIAS, 1997), se a vitima é a instância mais importante quanto à iniciativa de controle do crime, o MP é seguramente mais importante no que diz respeito a seu desfecho.
Uma das áreas de grande valor para a aplicação da Criminologia é o Tribunal do Júri, visto que, em vários casos muitos advogados criminais, apelam para a Criminologia com intuito de conseguir provas quanto à inocência do réu.
Na execução penal a atuação da Criminologia é de fundamental importância. Cita-se como exemplo o trabalho de Jason Soares de Albergaria que fez uso da Criminologia juntamente com suas teses criminológicas, para traçar um discurso equilibrado quanto à execução penal.
Outro campo produtivo para a aplicação da Criminologia é o Juizado Especial Criminal, pois neste, vitima e acusado interagem no sentido de buscar a solução do conflito. O Promotor de Justiça que atua no Juizado Especial Criminal é um mediador e deve saber interpretar o conflito, tendo como respaldo dados da Criminologia.
O crime organizado é outro ponto que mostra a importância do saber criminológico. A Criminologia aponta as situações jurídicas que podem ser enquadradas como atividades de organizações criminosas, visto que, não existe definição legal do que seja ou não crime organizado no Brasil.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Criminologia enquanto Ciência trata da pesquisa do controle da criminalidade, tendo, atualmente, como objeto: o delito, o delinquente, a vítima e o controle social.
O Ministério Público atuante na área criminal exerce crucial importância na aplicação das orientações criminológicas, visto que o MP tem atuação funcional em áreas cada vez mais diversificadas, sendo elas: Tribunal do Júri, Juizado Especial Criminal, Execução Penal, Crime Organizado, dentre outros; onde o conhecimento da Criminologia tem sido importante para sua melhor atuação.
O sentimento de que Criminologia não deve ficar reclusa, apenas em uma de suas tendências, contribui de maneira muito intensa, para travar, nos últimos tempos, o desenvolvimento do movimento crítico, que caminhava para o radicalismo.
O reconhecimento do caráter interdisciplinar e multidisciplinar da Criminologia e o seu aprofundamento garantem a esta Ciência o seu maior relacionamento e afinidade com a ideologia social e o modelo social.

REFERÊNCIAS

ALBERGARIA, J. Jornal do Sindicato dos Promotores e Procuradores de Justiça do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, novembro de 2003.

BUJAN, J.A. Elementos de criminologia em la realidad social – uma contribución a la sociologia jurídico-penal, Buenos Aires, Ábaco Rodolfo Depalma, 1999

DIAS, Jorge de Figueiredo; ANDRADE, Manuel da Costa. Criminologia – O homem delinqüente e a sociedade criminógena. 2ª reimpressão, Coimbra, 1997, p471.

MANNHEIN, Hermann. Criminologia Comparada. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1985.


Observatório da Criminologia. Disponível em: <http://www.novacriminologia.blogspot.com/> Acesso em: 05.jul.2010.

sábado, 16 de maio de 2015

A META


A Teoria das Restrições, foi introduzida em 1984 no livro "A Meta", de Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox onde expuseram uma teoria de gerenciamento sob a narrativa de uma história a respeito de um gerente de fábrica. Esta fábrica estava com grandes problemas e em perigo iminente de ser fechada pela direção. A fábrica foi salva por deixar de lado práticas gerenciais tradicionais apreciadas, que estavam criando terríveis dificuldades.
O Livro A META, explica através da ciência e da educação, a melhor forma de gerar “lucro” a uma empresa, mostrando que se pode com poucas hipóteses esclarecer uma grande quantidade de fenômenos industriais. Utilizando conceitos socráticos e pensamento dedutivo, Eli Goldratt questiona as bases fundamentais do pensamento de gestão e questiona não as práticas de gestão, mas sim as teorias que a formam.
O livro A Meta, relata a história do gerente de uma fábrica, Alex Rogo, que está passando por dificuldades no processo de administração da mesma.
O gerente possuía em sua fábrica, máquinas de última geração e serviço de mão de obra o suficiente para que o processo produtivo de sua empresa cumprisse os prazos de entrega dos pedidos. Porém, não era o que acontecia.
Um dos aspectos negativos era que a empresa não apresentava ganhos. Havia estoque de refugos da produção e constantes atrasos na entrega dos pedidos, o que gerava um mínimo retorno para a fábrica de montagens.
Além de todas as dificuldades internas da empresa, Alex ainda está passando por problemas no casamento em virtude da pressão sofrida no trabalho. Nesse contexto, o gerente sofre mais uma pressão, ou seja, recebe a visita de Bill Peach, Vice Presidente da UNICO, a matriz da fábrica onde Alex gerencia.  
Bill Peach, exige que Alex apresente uma solução para que a fábrica se estruture e passe a gerar bons resultados dentre de um período de três meses, caso contrário esta seria fechada. Após receber o ultimato do vice-presidente da empresa, Alex passa a pensar como salvar a fábrica e lembra que em uma viagem que fizera encontrara com seu antigo professor da faculdade de física, Jonah e que lhe havia dito como estava o funcionamento de sua fábrica. 
Alex então, contando as dificuldades que passava na administração de sua fábrica e falando da alta tecnologia que possuía com seus robôs em sua produção e o quanto eles eram eficientes, foi surpreendido por Jonah com uma pergunta: QUAL É A META DA SUA EMPRESA? Alex então começou a lhe dar uma série de respostas onde Jonah sempre colocava em questão o fato de ele ter toda a tecnologia e mão de obra especializada e a fábrica não gerar os resultados esperados.
Depois da conversa que tivera com Jonah, Alex passa a ter várias dúvidas e novamente procura Jonah para esclarecê-las. Alex não tinha tempo para resolver todos os problemas, e estava desesperado, pois a fábrica não conseguia apresentar resultados e sua vida pessoal, seu casamento estava à beira de acabar, visto que, ele não tinha tempo para sua família.
No entanto, sabendo que não poderia continuar com toda aquela pressão psicológica em que se encontrava, resolveu reunir sua equipe e expor o que estava acontecendo. Relatou acerca do prazo que seu vice-presidente dera para que fossem solucionados os problemas da empresa, e a possível desativação da fábrica. Contudo, ele falou também de Jonah, seu professor de física da faculdade, com quem tivera uma conversa sobre os problemas relacionados com a fábrica.
Após a exposição de toda a situação de Alex e a fábrica, sua equipe, formada por Stacey Potazenik que administrava o controle do inventário, Lou que era da contabilidade e Bob que trabalhava na produção com os robôs reuniu-se e colocou Alex a par de tudo o que havia em sua fábrica. A pedido de sua equipe, Alex procurou Jonah novamente.
Neste momento, Jonah explica três regras operacionais para gerenciamento de uma empresa. São elas: ganho, inventário e despesa operacional.

·         Ganho: índice pelo qual a empresa ganha dinheiro através das vendas.
·         Inventário: investimento de dinheiro na compra de coisas que se pretende comprar.
·         Despesa operacional: dinheiro que a empresa gasta a fim de transformar o inventário em ganho.

Porém, Alex percebe que a fábrica não apresentava ganhos, tinha altíssimo inventário, vários empregados tinham um tempo ocioso e a despesa operacional era alta.
Destarte, ao voltar à empresa, Alex explica as três regras para sua equipe que coloca várias restrições quanto à implantação das mesmas na fábrica. Após muita conversa, sua equipe passa a entender a necessidade e a aplicação que essas regras teriam na fábrica e que se poderiam mudar muitas coisas dentro da empresa e passam a adotá-las comprometendo-se para que essas regras funcionem.
Assim, Alex e sua equipe começam a traçar a meta da empresa, que era obter ganhos. Porém, surge o questionamento, COMO?
Alex procura Jonah novamente e durante a conversa, Jonah cita flutuações estatísticas e eventos dependentes, eventos aos quais Alex, junto com sua equipe deveria dar atenção na fábrica com relação aos equipamentos. Jonah, antes de se despedir disse a Alex que não havia um sistema perfeito de produção como ele imaginava: não se pode igualar a demanda com a produtividade.
Em um final de semana, Alex acompanha seu filho em uma excursão, e é aí que ele entende os conceitos de flutuação estatística e eventos dependentes percebendo que durante o passeio, na fila formada pelos escoteiros, existia jovens com passos diferentes, ou seja, as flutuações estatísticas; e notou que o andar de um jovem dependia do ritmo dos outros: eram eventos dependentes e começou a pensar em como implantar isso na sua empresa.
No meio da excursão com os garotos, Alex percebe que a fila dispersara e que eles não estavam conseguindo alcançar a velocidade de que se precisava para terminar o percurso no tempo determinado. Nesse contexto Alex percebeu a necessidade de mudança na ordem da fila para que a caminhada se tornasse mais rápida. Mais não foi o suficiente. Herbie, um garotinho com peso acima da média que fazia parte da excursão fora passado a líder e mesmo assim, não houve grande alteração na velocidade com que a fila andava. Alex, percebendo que o garoto fazia um enorme esforço pediu que os companheiros andassem atrás de Herbie. A fila continuou sem dispersão, mais os garotos diminuíram sua velocidade, pois Herbie não conseguia andar mais que já estava andando. Foi então que Alex pediu para que a tropa parasse e foi pedir Herbie sua mochila para que ele a levasse afim de que Herbie pudesse caminhar melhor. Aí foi a surpresa: a mochila de Herbie pesava muito e isso o atrapalhava na caminhada. Alex então passa a dividir os pertences de Herbie para toda a turma. Herbie passa então a caminhar mais rápido.
Voltando à fábrica, Alex relata a experiência em relação às flutuações estatísticas e eventos dependentes e disse que era preciso identificar dentro da fábrica esses problemas que poderiam estar tanto nos operários quanto nas máquinas.
Nessa oportunidade, Jonah percebendo que Alex apresentava interesse, explicou-lhe com maiores detalhes a Teoria das Restrições ou TOC (Teory of Constraints), como identificar as flutuações estatísticas e evento dependente em sua fábrica lhe explicando o que seria gargalo e não gargalo sendo: os não-gargalos, que não atrasavam o processo de fabricação das peças, e os gargalos que necessitavam de mais tempo para finalizar determinada peça, e por isso deveriam funcionar a todo o momento.
É válido mencionar que a TOC classifica a capacidade de um recurso em 3 classes:
1. Capacidade produtiva – é a capacidade que a empresa irá efetivamente usar do recurso, que ele processará peças.
2. Capacidade protetiva – é a capacidade a mais necessária nos recursos não-restrição para que eles não interrompam o fluxo produtivo, para que eles não parem a restrição.
3. Capacidade ociosa – é a diferença entre a capacidade disponível e as capacidades produtiva e protetiva, é o que sobra.
O tamanho da capacidade protetiva depende de:
·         Nível das flutuações estatísticas, quanto pior a qualidade do processo, maior terá que ser essa capacidade;
·         Quantidade de estoque em processo, quanto maior o estoque em processo, menor pode ser essa capacidade. Porém, o aumento do estoque em processo nunca poderá eliminar a capacidade protetiva, pois para isso seria necessário um estoque infinito.
Assim, Alex faz a comparação do gargalo com o garoto Herbie da excursão, onde sua equipe começa a entender realmente do que Alex falava. Todos saíram da sala de reuniões para identificar os “HERBIES” (gargalos) no processo da fábrica.
Na semana seguinte, a equipe se reúne novamente e chegam à conclusão de que dois gargalos foram encontrados, eram a máquina NCX-10 e o alto-forno onde as peças ficavam um tempo maior para serem processadas e acabadas. Identificaram que o problema da NCX-10 era que, como sendo um gargalo, sua produção não poderia parar em hipótese alguma, pois era ela que ditava o ritmo das demais demandas da produção, ela era um gargalo e determinava a capacidade efetiva da fábrica. No entanto, havia um problema, os operários, de acordo com o contrato feito com o sindicato, teria que ter a cada 4 horas trabalhadas, 20 a 30 minutos de descanso e era justamente nesse tempo que a máquina parava, pois não havia operário para operá-la.
Surge aí mais um problema Alex resolver. As peças ficavam estocadas aos montes do lado da máquina NCX-10 porque enquanto ela estava parada, os outros operários e máquinas trabalhavam normalmente gerando acúmulo do material que dependia da NCX-10 para ser acabado e liberado para outro processo. O fluxo deveria ser menor do que a demanda, pois assim não teria como se ter peças estocadas e perder dinheiro. As peças que faltavam na empresa com frequência, passavam pela NCX-10 (gargalo) o que atrasava a entrega dos pedidos e a produção.
A necessidade da fábrica naquele momento era aumentar o ganho e melhorar o fluxo de caixa e para isso Jonah sugeriu que aumentasse a capacidade da fábrica. Mais como fazer isso se não havia dinheiro para comprar mais máquinas? O problema era que os gargalos não estavam mantendo um fluxo suficiente para satisfazer a demanda e ganhar dinheiro. O objetivo então era encontrar capacidade suficiente para que os gargalos se tornem iguais à demanda. Para que isso ocorresse era preciso verificar a qualidade das peças que entravam nos gargalos para que não gerasse refugos como vinha acontecendo, evitando assim a perda de tempo no processo e a peça que no caso seria de um custo alto sendo fabricada em grande quantidade como estava sendo. Jonah então sugeriu: certificar de que o tempo do gargalo não estava sendo desperdiçado (como disse anteriormente em relação às paradas dos operário), outra coisa era o processamento de peças que já apresentavam defeitos e a terceira era fazer o gargalo trabalhar em peças que não tinha necessidade naquele momento. A equipe de Alex tinha que fazer com que os gargalos trabalhassem apenas no que se precisava para o dia e deveria tirar cargas dos gargalos e passa-las para os não gargalos.
Adotando estas medidas e várias outras, Alex e sua equipe, comprometidos no processo de melhoria, conseguem reduzir o inventário e aumentar os ganhos apesar de inicialmente a eficiência ter tido uma pequena queda salvando a empresa de um possível fechamento e consegue ainda, manter esse processo. Com o sistema implantado em sua fábrica e com a continuidade de seu trabalho com sua equipe, Alex consegue a promoção de que sempre quis, foi promovido a Diretor da divisão ao qual pertencia sua fábrica e consegue manter seu casamento
A Meta fornece a imagem do funcionamento de uma fábrica através do olhar do seu Diretor. Um ponto de vista que pode ser extremamente útil para diretores assim como para empregados. Goldratt desafia os empregados a deixarem de fazer coisas “porque sempre assim foram feitas” e os diretores a mudarem políticas e procedimentos que não gerem pensamentos renovadores e inovadores. Ao apontar as falhas do atual sistema e a lógica fundamental que o pode melhorar, Goldratt mostra que o “senso comum”, não é assim tão comum.


REFERÊNCIAS

GOLDRATT, Eliyahu M. e COX, Jeff. A Meta. São Paulo, IMAM, 1990.


TOC CASE STUDY. Unided States Airhealthcare system, 1999.

A eficácia do cinto de segurança em acidentes automobilísticos

  Autor:   Dr. Antônio Sócrates De Carvalho Júnior RESUMO: Introdução: Os acidentes de trânsito ocasionam, a cada ano, a mort...