Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Augusto Cury

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Jornalismo Cultural



Livro: Jornalismo Cultural
De: Daniel Piza

Por Sergio Areda

O livro Jornalismo Cultural, do autor Daniel Piza, é composto de 4 capítulos denominados respectivamente:  Pontos luminosos, De pólos e tribos, Contraclichê, Aqueles foram os dias. Cada capítulo contém textos bem elaborados e concisos, que explicam o que é jornalismo cultural.
O primeiro capítulo, Pontos luminosos, relata a história do jornalismo cultural que data de 1711, período em que os ensaístas ingleses Richard Steele e Joseph Addison fundaram a revista The Spectator. Frequentemente Richard Steele e Joseph Addison relatavam a difícil adaptação do homem do campo quando chegava a Londres, ou seja, um jornalismo cultural direcionado à avaliação de ideias, valores e artes, pós-renascimento, interesse em mudar a filosofia e a formalidade das escolas, faculdades entre outras instituições.
Em Pontos luminosos o autor descreve Dr. Johnson como o primeiro grande crítico cultural, pai de todos os críticos europeus, americanos e, até mesmo, brasileiros. Este capítulo é encerrado com o relato do jornalismo cultural no Brasil, composto de lances peculiares, os jornais e revistas dão mais espaço ao crítico profissional e informativo que não só analisa, mas reflete sobre a cena literária.
Em “De pólos e tribos”, o autor destaca o jornalismo cultural brasileiro a partir da chegada da arte moderna (séc. XX) e a crise das transformações de identidade que, por sua vez, encaixa nas teorias defendidas por Walter Benjamim, Theodor, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Leo Lowenthal, Fraz Neumann, Friedrich Pollok, Erich Fromn dentre outros pensadores da Escola de Frankfurt, como “indústria cultural”. Daniel Piza faz essas observações a respeito de estratégias didáticas que o profissional de comunicação tem que ter. Isto é, estar atento ao mercado para não usar de preconceito e parcialidade no campo jornalístico. O autor utiliza o termo “preconceito às avessas” para analisar a cultura. A colocação que Piza faz se refere à forma que as pessoas associam a cultura: “ainda pertencente à elite, interfase intelectual, coisa inatingível e complicada”. O mesmo critica os meios de comunicação, bem como os cadernos diários que, de forma crescente, valorizam as celebridades, ao apresentar material que dominam as tabelas de consumo cultural, banalizando a cultura.
Ainda neste capítulo, Daniel Piza faz referência, também, aos cadernos semanais, onde a crítica está superficial e limitada em classificações como bom, muito bom, excelente ou ruim; celebridades e baixa qualidade de avaliação de produtos são temas que se tornaram frequentes nos jornais e revistas; desencorajamento em escrever sobre obras que são de qualidade e menos conhecidas, as que não pertencem à massa. Além disso, os chamados Segundos Cadernos precisam escapar das oposições, como elitismo e populismo, variedades e erudições, nacional e internacional. É necessário um equilíbrio entre esses temas: nutrir da expansão de horizontes do conhecimento, conhecer as diferentes culturas estrangeiras, sem esquecer, da nacional.
O terceiro capítulo traz exemplos de duas histórias que envolvem festivais artísticos, além de apresentar características inerentes a um bom texto crítico e um bom crítico: clareza, coerência e agilidade e também deve informar ao leitor. É mostrado também um exemplo de uma resenha na íntegra, do que pode desinteressar o leitor.
Um tópico importante no livro é que o autor apresenta dez dicas para profissionais que pretendem fazer uma boa reportagem ou entrevista. Daniel Piza comenta que muitos pensam que o jornalista cultural leva uma “doce vida”, mas não é exatamente assim, estes profissionais correm riscos, como o de confundir a amizade com a crítica, generalizar demais, atacar o autor, e não a obra.
No quarto e último capítulo Daniel Piza descreve suas experiências como jornalista cultural. O autor expressa que a cultura não é somente o erudito, o que se engloba no culto, mas também o popular e o pop. Piza ressalta que há uma vasta variedade de cultura no Brasil, que possui uma gama de material cultural, o que possibilitaria a produção de muitas matérias por dia. De forma realista, o autor retrata, através de textos ricos, dados que evidenciam o que é jornalismo cultural. O autor busca o princípio do interesse pelos assuntos culturais, e induz o leitor a uma reflexão do que é realmente cultura, o que a maioria das pessoas entende como cultura, e o que o jornalista deve se apropriar para mediar essa cultura à sociedade.
Piza sempre se refere à banalização de temas culturais, sem perder a oportunidade de fazer alusão sobre a televisão brasileira e às músicas pop, isto é, a cultura massiva em geral. Para Daniel Piza jornalismo cultural não é somente levar ao leitor um informativo qualificado, mas também fazer crítica construtiva ao mundo da cultura.
Em suma, o jornalista tem que saber produzir um texto que tanto o intelectual quanto o leigo possa assimilar.


REFERENCIA


PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2007.

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