Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Augusto Cury

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Família e Trabalho na reestruturação produtiva Saúde do Idoso

Pode-se perceber que a ciência moderna nasce da reflexão dos pensamentos clássicos (Durkheim-Weber-Marx) que captaram de modo mais objetivo e racional os problemas e dilemas da modernidade. Período esse de pré-produção sociológica, marcado pelo crescimento das desigualdades e contrastes sociais implementados pela consolidação do capitalismo industrial, inaugurando a problemática e o tema da questão social, apresentado nos aglomerados urbanos de grandes metrópoles no século XIX.
Outra questão marcante é a formação de um modo de produção capitalista que subsiste por meio de uma relação contrastiva entre as classes, ocasionando crises de pré-rompimento na relação capital-trabalho.
Percebe-se o rompimento com os modos de vida tradicionais e com as instituições morais pertencentes à tradição, diferenciação de indivíduos, provocando processo de individualização. Ainda, a racionalização estrutural das sociedades avançadas, na esfera econômica; burocratização do aparelho estatal; secularização das instituições e condutas.
Diante do exposto, o presente trabalho tem por objetivo apresentar algumas considerações a respeito da sociedade moderna e sua relação com as mudanças ocorridas ao longo dos tempos. Pretende-se discorrer a respeito da divisão social do trabalho; as relações familiares na contemporaneidade; além de discutir a respeito da atuação da mulher no mercado de trabalho e as configurações familiares do século XX.

A concentração da renda entre um pequeno número de pessoas, nos países desenvolvidos, é um fato de dimensões relativamente moderadas sob os pontos de vista da economia e da sociologia. Porém, se comparado com os acentuados contrastes comuns nos países subdesenvolvidos, o fato se torna até insignificante.
Os países desenvolvidos são de economias capitalistas e, logicamente, suas populações constituem sociedades divididas em classes sociais que se formaram e se apresentam instituídas e consolidadas por cerca de dois séculos de história.
No referente à divisão social do trabalho observa-se que a sociedade é composta de diferentes indivíduos que desempenham diversos papéis juntamente a outros indivíduos que dão suporte aos papéis desempenhados. Quando esta estrutura se agiganta tem-se a presença das instituições compondo a sociedade.
A divisão do trabalho corresponde à especialização de tarefas com funções específicas, com finalidade de dinamizar e otimizar a produção industrial. Tal processo produz eficiência e rapidez ao sistema produtivo.
Conforme a teoria de Durkheim, a divisão do trabalho social não se refere somente às atividades econômicas, como também influencia todo o conjunto das atividades sociais porque, para além de servir para procurar maior eficácia, tem acima de tudo uma função social.
Acredita-se que a divisão do trabalho nas sociedades modernas é um fenômeno essencialmente social. Observando-se, causa e efeito, a explicação acaba por se constituir em outro fenômeno social, no caso, a combinação entre volume (número dos indivíduos de determinada sociedade), densidade material (volume em relação a uma superfície dada do solo) e densidade moral (intensidade das comunicações e trocas entre esses indivíduos).
Quanto mais numerosos os que procuram viver em conjunto, mais intensa é a luta pela vida. Contudo, em vez de alguns serem eliminados para que outros sobrevivam, a diferenciação social permite que mais indivíduos se diferenciem e cada um tenha uma função e colabore para a vida de todos.

Nas últimas décadas a discussão a respeito da crise nas relações familiares foi propiciado pelos efeitos da generalizada aceitação social do divórcio, do declínio da instituição do casamento e da baixa taxa de fecundidade.
Tais acontecimentos tanto indicaram a compreensão de que se projetara o enfraquecimento da família, quanto sugeriram a análise do surgimento de novos modelos familiares, caracterizados por mudanças nas relações entre os sexos e as gerações, tais como: controle mais intenso da natalidade, inserção massiva da mulher no mercado de trabalho, questionamento da autoridade paternal, atenção ao desenvolvimento das necessidades infantis e dos idosos, entre outras.
Uma prévia da tendência geral dos processos de formação familiar pelas novas gerações fica em evidência mediante ao desuso da recorrência aos casamentos arranjados e o questionamento ao fato de as alianças serem seladas apenas pelo amor e pelo desinteresse. Ainda, o conceito de capital cultural para apreender algumas mediações que tornam possível o amor desinteressado e a defesa dos interesses sociais - o corpo e o caráter revelam os capitais escolares e sociais.
O período contemporâneo se caracteriza pelo maior domínio do destino individual e familiar, em detrimento de um sistema de valores que aprova a autonomia e a recusa dos indivíduos em seguirem costumes referentes ao desempenho dos papéis sociais de marido e esposa, das gerações passadas. Conseguintemente, ocorre o duplo movimento - recusar a instituição do casamento e criticar a divisão do trabalho entre os sexos. Como exemplo, observam-se as condições objetivas que permitem o controle desse domínio individual, especialmente as técnicas modernas de controle dos nascimentos.
Neste contexto, a complexidade da dinâmica familiar evidencia-se de forma inquestionável na maneira com que seus membros interagem. Com todo o aparato promovido pela diversidade, o amor, o afeto, enfim, os sentimentos passam a ser também um desafio tendo em vista que aprender a respeitar e a entender as diferenças, aprender a educar os filhos, dentro de suas limitações e dificuldades configura-se em algo que exige um esforço cada vez maior por parte de todos os membros da família contemporânea. Assim, compreende-se que os novos arranjos familiares trazem consigo novos processos de adaptação.

Como vem sendo mencionado ao longo deste trabalho, muitas mudanças vêm ocorrendo e, principalmente, no que se refere à família. Uma das mudanças consiste no fato de que as mulheres vêm conquistando destaque em diversas áreas do mercado de trabalho. Em muitas situações, a mulher tem vencido obstáculos preconceituosos e ocupando cargos de chefia, ou cargos em atividades que, ainda hoje, são vistas apenas para homens, como é o caso da construção civil.
Um dos fortes motivos de tais mudanças pode ser atribuído à necessidade econômica, assim, a mulher passou a trabalhar fora de casa, com a finalidade de aumentar a renda familiar. Com a saída dos pais de casa, surgem as creches como solução para cuidar dos filhos menores. Este cuidado, em algumas famílias, passou a ser exercido pelas pessoas mais velhas, como os avós.
Entretanto, observa-se que a luta das mulheres remonta de séculos, no decorrer da história, verifica-se sua participação nas diversas lutas, com o objetivo de garantir o reconhecimento a sua identidade. Nesse processo, grandes vitórias foram conquistadas, particularmente nos séculos XX e XXI.
Mais recente, dentre outras conquistas, tem-se a criação do Decreto 21.417 de 1932 que estabelecia pontos essenciais como, por exemplo, a igualdade salarial, sem distinção de sexo, a licença remunerada para a gestante, por quatro semanas antes e quatro depois do parto e a proibição da demissão da gestante pelo simples fato da gravidez. Em 1962 foi criado o estatuto da mulher no Brasil assegurando-lhe direito e liberdade.
A partir de então grandes transformações avançam. O sexo masculino que detinha o poder tanto no relacionamento quanto na sociedade e no campo de trabalho começa a perder espaço para as mulheres.
Movimentos feministas foram implantados. Começa, então, uma destradicionalização da família na sociedade, gerando uma desagregação familiar pelo fim da autoridade parental. Ocorre um decrescimento nas famílias formadas por casais e um aumento proporcional das famílias monoparentais.
Um novo modelo de família começa surgir denominado “arranjos familiares”. A família perde a importância como instituição, passando do casal e filhos para o indivíduo. A visão jurídica também sofre alterações, o casamento que era indissolúvel passa a ser solúvel com a lei do divórcio. A Constituição Federal de 1988 fez com que grandes evoluções no que diz respeito à família acontecessem. É perceptível o surgimento de novos núcleos familiares e os mesmos revelam em si um exercício de profunda experiência. Importante se faz apreender através da diversidade e sazonalidade com que os mesmos acontecem.

Atualmente as pessoas vivem para o trabalho, sem tempo para a família e o lazer, submetendo-se a qualquer labor para garantir o sustento de suas famílias e suas necessidades de consumo. Necessidades essas intrinsecamente causadas pelo capitalismo, impondo uma visão mercadológica sob a qualidade de vida, burlando a crise vivenciada pela humanidade em prol da manutenção de uma visão utilitarista.
Nesse sentido, percebem-se mudanças na relação social, familiar, dentre outras. O modelo familiar da atualidade demonstra-se bastante diferente de séculos passados. Atualmente os chefes da família estão fora para prover as necessidades materiais enquanto os filhos ficam aos cuidados de terceiros ou aos seus próprios cuidados.
Se por um lado os avanços podem ser considerados positivos, tem-se, também, que na relação familiar, ao se observar o aumento do índice de dissoluções familiares, a violência, abuso de drogas, dentre outras situações vividas, principalmente por jovens, tais mudanças configuram-se como negativas. Uma vez que a base estrutural familiar passou a ser amparada apenas pela questão econômica e produção de bens materiais. Tornaram-se obsoletas as relação puramente afetivas e emocionais.

REFERÊNCIAS
MONTALI, Lilia.  FAMÍLIA E TRABALHO NA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA: ausência de políticas de emprego e deterioração das condições de vida. Revista Brasileira de Ciências Sociais - VOL. 15 Nº 42, fevereiro/2000.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A prática de esportes na terceira idade

A era contemporânea caracteriza-se por diversas transformações: históricas, filosóficas, econômicas, políticas e sociais, as quais deixam um legado importante para a humanidade. E um dos fenômenos sociais que mais tem se destacado e demarcado seu espaço é o aumento acelerado da população de idosos, que ocorre praticamente em todo o mundo.
Estima-se que em 2025, 34 milhões de pessoas, ou seja, 15% da população brasileira, estarão com idade superior a 60 anos e, nesse período, ocorrerá um aumento de 6,5% de idosos ao ano e um decréscimo nos números absolutos de jovens entre 0 e 14 anos (GONÇALVES, 2001). Com o aumento crescente da população com idade superior a 60 anos, a geração de conhecimento sobre o processo de envelhecimento populacional e suas decorrências adquire significativa importância para o Brasil, a exemplo do ocorrido em países desenvolvidos.
Pode o fator idade pode representar um influenciador do processo de desenvolvimento da prática de esportes como natação e hidroginástica. Como orientar pessoas da terceira idade a praticar tais esportes e alcançarem melhor qualidade de vida?
Sabe-se que a prática de esportes desde a infância é uma das recomendações médicas no sentido de se adquirir desenvolvimento físico saudável. A prática de esportes também influencia em outros aspectos da vida humana. No entanto, ao se atingir certa idade muitos acreditam não precisarem mais praticar qualquer tipo de esporte. Atividades como natação e hidroginástica são grandes contribuintes não só para o desenvolvimento, mas, também, para o auxilio da cura de problemas respiratórios, musculares, ortopédicos, etc. Dessa forma, pessoas que atingiram a terceira idade têm nessas atividades grandes aliadas na conservação de sua saúde física, mental, etc., adquirindo, assim, melhor qualidade de vida.
Um dos aspectos importantes que mais vem sendo discutido pelos estudiosos do meio acadêmico que pesquisam sobre este tema, é que esta fase de vida não é alcançada de uma forma satisfatória sem que se façam presentes os surgimentos de problemas, quer sejam de ordem orgânica ou psicológica.
Segundo Vieira (1996) e Lopes (2000), os processos de envelhecimento se iniciam desde a concepção, sendo então a velhice definida como um processo dinâmico e progressivo no qual ocorrem modificações, tanto morfológicas, funcionais e bioquímicas, como psicológicas, que determinam a progressiva perda das capacidades de adaptação do individuo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos. Sociólogos e psicólogos chamam a atenção para o fato de que, além das alterações biológicas, podem ser observados processos de desenvolvimento social e psicológicos alterados em algumas das suas funções, como também problemas de integração e adaptação social do indivíduo.
Os efeitos do envelhecimento na aptidão física e na capacidade funcional têm sido bem descritos na literatura científica. Um dos efeitos do processo do envelhecimento no ser humano é a diminuição do nível de atividade física.
A hipótese biológica formulada para explicar o declínio do nível de atividade física com a idade cronológica seria a da dopamina, que age sobre algumas áreas específicas do cérebro, e que está relacionada com a motivação para a locomoção. No entanto, além do fator biológico, outros fatores não biológicos, como variáveis psicológicas, sociais e do ambiente físico, estão relacionadas ao nível de atividade física.
Um dos dados intrigantes descoberto em pesquisas sobre a relação entre atividade física e longevidade veio da evidência de que o estilo de vida sedentário tem um efeito no cumprimento dos telômeros dos leucócitos e, portanto, pode acelerar o processo de envelhecimento.
Com base nessa informação, pode-se inferir que as evidências epidemiológicas disponíveis sugerem fortemente uma associação inversa entre atividade física e mortalidade.
Dessa forma, os dados apoiam a necessidade do estímulo da atividade física regular especialmente após os 50 anos de idade, visto que, é a manutenção da atividade física regular ou a mudança para um estilo de vida ativo que tem um impacto real na saúde e na longevidade.
Os efeitos do envelhecimento na aptidão física e capacidade funcional (PARAHYBA et al., 2005; MCGUIRE et al, 2007) têm sido bem descritos na literatura científica. Um dos efeitos do processo do envelhecimento no ser humano é a diminuição do nível de atividade física (INGRAM, 2000; AL-HAZZAA, 2007). Dados do Estado de São Paulo (MATSUDO et al, 2002) evidenciaram que o nível de sedentarismo se manteve constante (5,4% a 9,6%) nos grupos de 15-29, 30-49, 50-69 e mais de 70 anos de idade. Os dados do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul - CELAFISCS desde 1997, sugerem que mulheres envolvidas regularmente em atividade física mantêm o perfil antropométrico estável durante o processo de envelhecimento independente da idade cronológica (MATSUDO et al., 2002). Ao verificar a evolução de nível de atividade física das pessoas com mais de 50 anos (MATSUDO et al., 2006) foi observado que a prevalência de pessoas ativas aumentou 61% aproximadamente, enquanto a de irregularmente ativas diminuiu 60,0%.
De acordo com estudos realizados pelo CELAFISCS a recomendação de atividade física para a saúde durante o processo de envelhecimento ou para o idoso segue as mesmas linhas de recomendação para a população geral, como a proposta em 1995 pelo Centers for Disease Control (CDC) e o American College of Sports Medicine e a American Heart Association (ACSM), e atualizada em 2007. De acordo com o Posicionamento Oficial de Atividade Física para o Idoso, do ACSM e a American Heart Association, e o posicionamento da American Heart Association sobre a recomendação de atividade física em saúde pública no idoso, a recomendação enfatiza quatro aspectos chaves para a promoção de um envelhecimento saudável:
ü  Atividades aeróbicas: para a promoção e manutenção da saúde o idoso deve realizar atividades aeróbicas de intensidade moderada (5 a 6 em uma escala de percepção de esforço de 0 a 10) pelo menos 30 minutos diários em cinco dias da semana ou atividade vigorosa (7 a 8 na escala de 10 pontos) por pelo menos 20 minutos por dia em 3 dias da semana;
ü  Fortalecimento muscular: exercícios com peso realizados em uma série de 10-15 repetições, de 8 a 10 exercícios que trabalhem os grandes grupos musculares, de dois a três dias não consecutivos;
ü  Flexibilidade: atividades de pelo menos 10 minutos com o maior número de grupos de músculos e tendões, por 10 a 30 segundos; em 3 a 4 repetições de cada movimento estático, todos os dias de atividades aeróbicas e de fortalecimento;
ü  Equilíbrio: exercícios de equilíbrio três vezes por semana.

Os efeitos benéficos da prática regular da atividade física têm sido amplamente estudados (MATSUDO et al., 2000; NELSON et al., 2007) e incluem:
·         Efeitos antropométricos: controle ou diminuição da gordura corporal; manutenção ou incremento da massa muscular, força muscular e da densidade óssea; fortalecimento do tecido conetivo; melhora da flexibilidade.
·         Efeitos metabólicos: aumento do volume de sangue circulante, da resistência física em 10-30% e da ventilação pulmonar; diminuição da freqüência cardíaca em repouso e no trabalho submáxima e da pressão arterial; melhora nos níveis de HDL (lipoproteínas de alta densidade) e diminuição dos níveis de triglicérides, colesterol total e LDL (lipoproteínas de baixa densidade), dos níveis de glicose – diminuição de marcadores anti-inflamatórios associados às doenças crônicas não transmissíveis; diminuição do risco de doença cardiovascular, acidente vascular cerebral tromboembólico, hipertensão, diabetes tipo 2, osteoporose, obesidade, câncer de cólon e câncer de útero.
·         Efeitos cognitivos e psicossociais: melhora da auto-estima, imagem corporal, estado de humor, tensão muscular e insônia; prevenção ou retardo do declínio das funções cognitivas; diminuição do risco de depressão; diminuição do estresse, ansiedade e depressão, consumo de medicamentos e incremento na socialização.
·         Efeitos nas quedas: redução de risco de quedas e lesão pela queda; aumento da força muscular dos membros inferiores e coluna vertebral; melhora do tempo de reação, sinergia motora das reações posturais, velocidade de andar, mobilidade, e flexibilidade.
·         Efeito terapêutico: efetivo no tratamento de doença coronariana, hipertensão, enfermidade vascular periférica, diabetes tipo 2, obesidade, colesterol elevado, Osteoartrite, claudicação e doença pulmonar obstrutiva crônica; efetivo no manejo de desordens de ansiedade e depressão, demência, dor, insuficiência cardíaca congestiva, síncope, acidente vascular cerebral, profilaxia de tromboembolismo venoso, dor lombar e constipação.
O “segredo do envelhecimento bem-sucedido” parece estar em garantir um estilo de vida ativo. As prioridades na prescrição da atividade física durante o processo de envelhecimento incluem inicialmente a realização de exercícios com peso e de equilíbrio para garantir força muscular e evitar as quedas, respectivamente. Atividades aeróbicas de baixo impacto como: Caminhar, Pedalar bicicleta, Natação, Hidroginástica, Dançar, Yoga, tai-chi-chuan, Ginástica aeróbica de baixo impacto. Atividades aeróbicas para estimular o sistema cardiovascular e respiratório, seguidos dos movimentos corporais totais podem garantir flexibilidade e mobilidade articular, para tanto são necessárias mudanças para adoção de um estilo de vida ativo.
De acordo com Freitas (2007), em pesquisa no Recife com 120 usuários de dois programas de exercícios físicos, diversos foram os motivos apontados para a adesão à atividade, dentre eles: a melhoria da saúde, do desempenho físico, a redução do estresse, o fato de adotar um estilo de vida ativo, a prescrição médica, ou para recuperação de lesões, alguns para melhoria de auto-imagem, além de melhoraria na auto-estima e relaxamento.
Os benefícios da natação e hidroginástica para a terceira idade são indiscutíveis. São atividades para serem praticadas durante toda vida. O benefício fisiológico é significativo, pois ativa a parte circulatória, o coração fica mais saudável, a pessoa dorme melhor, se alimenta bem. Quem pratica esporte, em qualquer faixa etária, tem maiores chances de permanecer saudável a vida inteira.
As atividades físicas aquáticas provaram ser eficazes no desenvolvimento e manutenção das potencialidades físicas e também orgânicas. Um componente desse grupo de atividades é a hidroginástica, que vem cada vez mais ganhando adeptos por todo o mundo. Segundo alguns especialistas, os exercícios aquáticos são mais divertidos, agradáveis, eficazes, estimulantes, cômodos e seguros.
Na hidroginástica, o principal objetivo é o condicionamento cardiovascular e muscular, por meio do treinamento em flexibilidade, coordenação motora e relaxamento. Segundo especialistas, a hidroginástica é extremamente eficaz no combate ao estresse, além de contribuir para uma melhor qualidade de vida dos indivíduos.
Em contraposição às atividades realizadas no solo, a prática da hidroginástica não é acompanhada por dores, transpiração e sensação de exaustão. Dentro da água, o indivíduo tem uma sensação de redução no peso, o que reduz de maneira importante a tensão nas articulações. Com isso, os exercícios realizados dentro da água são desenvolvidos com maior facilidade, aumentando o rendimento de quem pratica e possibilitando a prática de atividade por um período de tempo maior. Como o impacto é reduzido, as dores e os espasmos musculares pós-atividades praticamente não ocorrem. O gasto calórico médio é de 260-400 Kcal/hora.
Um benefício bastante agradável da hidroginástica é a massagem proporcionada pela água, por meio da pressão e da resistência. Isso garante um efeito suavizante sobre a musculatura, ajudando a aumentar a circulação periférica de sangue e aliviando as tensões.
A hidroginástica, quando praticada regularmente e de maneira adequada, permite melhora em dos componentes do condicionamento físico, que são:
Ø  Aeróbico: melhora a capacidade cardiovascular e pulmonar;
Ø  Composição Corporal: a relação entre a massa magra e a quantidade de gordura;
Ø  Resistência Muscular;
Ø  Força Muscular;
Ø  Flexibilidade;
Outra vantagem importante da hidroginástica é que ela é uma das poucas atividades que podem ser realizadas por indivíduos com pouco ou nenhum condicionamento físico. Com isso, pessoas de qualquer idade podem praticá-la. A hidroginástica trabalha os músculos, a capacidade cardiovascular, a flexibilidade e melhora o condicionamento físico, realizando um trabalho no meio líquido com baixo impacto e de forma prazerosa. É bastante indicada para pessoas na terceira idade, pelo baixo impacto das atividades e pela sensação de peso corporal aliviado. A resistência que a água oferece ao movimento é 7 vezes maior do que o ar, e a carga é exercida de maneira proporcional à força realizada, conferindo grande segurança e baixíssimo risco de lesões.
A população de faixa etária de 60 anos ou mais  é o grupo que apresenta maior crescimento populacional, isso ocorre por conta da longevidade e qualidade de vida com que esta população está vivendo. A hidroginástica nesta faixa etária contribui para melhor qualidade de vida, sendo uma atividade física benéfica tanto para a saúde mental como, também, para a saúde física de quem a pratica. Através de exercícios físicos é possível alcançar boa qualidade de vida.
Para as pessoas da terceira idade a vida pode ser um desafio, principalmente para os inativos, os quais sofrem de doenças crônicas. Por isso, atualmente o exercício físico é considerado um tratamento de prevenção, principalmente para as doenças do coração e diabetes, melhorando, assim, a expectativa de vida. A prática de exercícios físicos contribui para a manutenção das capacidades funcionais, tais como, andar e agachar e, ainda ajuda a diminuir os riscos causados por uma vida sedentária. Para as pessoas que se encontram na faixa etária da meia idade e praticam algum tipo de atividade física regulamente correrão menos risco de sofrer de limitações físicas quando chegarem à melhor idade. A hidroginástica torna pessoas da terceira idade mais aptas e saudáveis, proporcionando melhor qualidade de vida por conta dos benefícios que oferece.
As atividades mais recomendadas pelos médicos para essa faixa etária são exercícios na água, principalmente a natação e a hidroginástica, sendo a hidroginástica o exercício ideal para pessoas que possuem problemas ósseos como artrose e osteoporose. A hidroginástica propicia o emagrecimento geral, fortalecimento e resistência muscular, melhora da flexibilidade, melhora do equilíbrio e também da coordenação, diminuição do estresse, contribuição para a reabilitação física e condicionamento físico geral.
A prática de qualquer exercício físico melhora o humor por causa da liberação de endorfina no organismo, o qual causa a sensação de bem estar e relaxamento, reduzindo a ansiedade e o estresse e permite o aumento da funcionalidade do sistema imunológico acarretando benefícios cardiovasculares e facilita o controle da obesidade, proporcionando benefícios psicológicos como melhora da auto-estima.

* Pesquisa realizada pela professora Rita de Cassia Fernandes 


REFERÊNCIAS

AL-HAZZAA, H.M. Health-enhancing physical activity among Saudi adults using the International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). Public Health Nutr. 10(1), 2007. p.59-64.

FREITAS, C.M.S.M. Aspectos motivacionais que influenciam a adesão e manutenção de idosos a programas de exercícios físicos. Desempenho Humano. 2007.

GONÇALVES, A.K. Novo ritmo da terceira idade. In: Pesquisa Fapesp, n. 67, p. 68, Ag. 2001.

INGRAM, D.K.; Age-related decline in physical activity: generalization to nonhumans. Med.Sci.Sports Exerc, 32(9), 2000. p.1623-9.

LOPES, A. Os desafios da gerontologia no Brasil. Campinas – SP: Alínea, 2000.

MATSUDO, S.M.; MATSUDO, V.R.; ARAUJO, T. et al. Nível de atividade física da população do Estado de São Paulo: análise de acordo com gênero, idade, nível socioeconômico, distribuição geográfica e de conhecimento. Rev. Bras. Cienc. e Mov. 10(4), 2002. p.41-50.

MATSUDO, S.M.; MATSUDO, V.K.R.; ANDRADE, E.L.; ANDRADE, D.R.; OLIVEIRA, L. Evolution of physical activity level of people over 50-years old involved in a community physical activity promotion program. Med Sci Sports Exer. 38(5 Suppl), 2006. p.S305.

MCGUIRE, L.C.; STRINE, T.W.; OKORO, C.A.; AHLUWALIA, I.B.; FORD, E.S. Healthy lifestyle behaviors among older U.S. adults with and without disabilities, behavioral risk factor surveillance system, 2003. Prev Chronic Dis 2007.

NATAÇÃO E HIDROGINÁSTICA. Disponível em: <http://bioqexercicio208.blogspot.com/2008/11/bebs-todas-as-faixas-etrias-tiram.html>. Acesso: 02.mai.2011

NELSON, M.E.; REJESKI, W.J.; BLAIR, S.N. et al. Physical activity and public health in older adults: recommendation from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Circulation. 166(9), 2007. p.1094-105.

PARAHYBA, M.I.; VERAS, R.; MELZER, D. Incapacidade funcional entre as mulheres idosas no Brasil. São Paulo: Revista de Saúde Publica/Journal Public Health, 39(3), 2005. p.383-91.
VIEIRA, E.B. Manual de gerontologia. Rio de Janeiro: Revinter, 1996.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A economia brasileira


Seria necessário voltar muito no tempo, mais precisamente a partir da época em que o Brasil era apenas uma colônia de Portugal até o Governo de Getúlio Vargas, para uma melhor compreensão do histórico da inflação no cenário econômico brasileiro. Contudo a reflexão do presente trabalho data da década de 1990 e 2000 onde foi marcada pela introdução de uma série de mecanismos de flexibilização da relação trabalhista (contratos de prestação de serviços, contratos por tempo determinado etc.), pela flexibilização dos rendimentos, especialmente através de mecanismos de remuneração variável, e pela redução dos rendimentos do trabalho em termos reais.
As políticas regionais dos anos 1990, fortemente influenciadas pelas diretrizes do Consenso de Washington, limitaram-se ao comércio e fraquejaram nos momentos em que ocorreram crises financeiras internacionais. A desvalorização forçada da moeda brasileira em janeiro de 1999 foi fator que contribuiu para paralisar temporariamente o Mercosul.
Atualmente a desigualdade de renda no Brasil assemelha-se praticamente à mesma de décadas atrás, depois de o Brasil passar pelos mais diversos regimes monetários e cambiais e fases do ciclo econômico. De forma similar, a economia brasileira apresentou uma relativa taxa de estagnação da renda per capita em meados da década de 1990.
Os graves desequilíbrios fiscais nas últimas décadas resultaram em inflação elevada ou em aumentos na relação dívida/PIB. Essas formas de acomodação são prejudiciais ao desenvolvimento. Taxas elevadas de inflação têm consequências negativas sobre a atividade econômica.
A década de 1990 foi palco de mudanças na política de comércio exterior brasileira. O período caracterizou-se por um processo de abertura comercial abrangente, iniciada no governo Collor e estendida até o governo Fernando Henrique Cardoso. Percebe-se que no desenrolar dos fatos os governos procuraram manter uma estratégia desenvolvimentista, porém, esta se tornou inconsistente, tendo em vista que a dívida já era muito alta.  Porém, ao mesmo tempo notam-se as ideias liberais adotadas pelos mesmos.
A economia brasileira encontrava-se em um contexto econômico adverso, tendo em vista que a globalização financeira e produtiva desenvolvia-se rapidamente, exigindo que as autoridades monetárias tomassem decisões arrojadas, tais como a estabilização da economia, no sentido de preparar o país para a inserção no mercado internacional. Neste contexto, programou-se um conjunto de políticas econômicas culminando com o Plano Real.
Contudo, foi a partir de 1994, com a estabilização afinal alcançada através do Plano Real, a economia voltou a crescer ao que tudo indica de forma sustentada, terminando afinal a grande crise. As quedas das tarifas nominais de importação já haviam sido iniciadas no final dos anos 80, mas foi em 1994-1995 que elas foram fortemente reduzidas, prejudicando sobremaneira o saldo do balanço de pagamentos.
Em suma, o diagnóstico macroeconômico dos primeiros anos da década apresentava:
  • Aceleração de uma taxa de inflação extremamente elevada;
  • Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP), no conceito operacional, modestas, pois a inflação facilitava o ajuste das contas públicas, conforme explicaremos em seguida;
  • Taxa de câmbio extremamente desvalorizada, reflexo ainda da contração do mercado de crédito externo ao país na década de 80;
  • Situação de tranquilidade nas contas externas.
Com a queda da inflação, em contraste com o período imediatamente anterior, o desempenho macroeconômico no primeiro mandato de Fernando Henrique foi o inverso do observado nos primeiros anos da década, e pode ser descrito por meio das características:
  • Inflação baixa (para os padrões brasileiros) e declinante;
  • Elevado desequilíbrio nas contas públicas (sucessiva piora nos resultados primários);
  • Taxa de câmbio significativamente sobrevalorizada;
  • Deterioração dos resultados em transações correntes.
A política econômica, a partir de então, passa a ser caracterizada pelos seguintes objetivos:
  • Metas de déficit resultado primário, ou seja, comprometimento com uma maior austeridade fiscal;
  • Aprovação de reformas;
  • Adoção de um sistema de metas de inflação;
  • Câmbio flutuante.
Nesse sentido, observam-se os percalços de uma política que navegou ao sabor das diretrizes políticas e econômico-financeiras internacionais. Uma sucessão de políticas econômicas inconsistentes com os desejos constantemente anunciados pelo governo em promover a prosperidade econômica, principalmente a partir de empreendimentos privados.
A estratégia privatização mostrava-se contraditória com a condução da política econômica em toda a década de 90. As altas taxas de juros praticadas no período direcionaram a poupança privada para o financiamento público. Essa distorção implicou em escassez de crédito para o setor produtivo, bem como na mudança no próprio direcionamento das atividades deste, por exemplo, com empresas aplicando no mercado financeiro em vez de investir nas suas atividades, por conta de retornos financeiros altamente atraentes.

REFERÊNCIAS
CARNEIRO, Ricardo. Impasses do desenvolvimento brasileiro: aspectos estruturais.

BARBOSA, Nelson. SOUZA, Jose Antonio Pereira de. A inflexão do governo Lula: política econômica, crescimento e distribuição de renda.