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A economia brasileira


Seria necessário voltar muito no tempo, mais precisamente a partir da época em que o Brasil era apenas uma colônia de Portugal até o Governo de Getúlio Vargas, para uma melhor compreensão do histórico da inflação no cenário econômico brasileiro. Contudo a reflexão do presente trabalho data da década de 1990 e 2000 onde foi marcada pela introdução de uma série de mecanismos de flexibilização da relação trabalhista (contratos de prestação de serviços, contratos por tempo determinado etc.), pela flexibilização dos rendimentos, especialmente através de mecanismos de remuneração variável, e pela redução dos rendimentos do trabalho em termos reais.
As políticas regionais dos anos 1990, fortemente influenciadas pelas diretrizes do Consenso de Washington, limitaram-se ao comércio e fraquejaram nos momentos em que ocorreram crises financeiras internacionais. A desvalorização forçada da moeda brasileira em janeiro de 1999 foi fator que contribuiu para paralisar temporariamente o Mercosul.
Atualmente a desigualdade de renda no Brasil assemelha-se praticamente à mesma de décadas atrás, depois de o Brasil passar pelos mais diversos regimes monetários e cambiais e fases do ciclo econômico. De forma similar, a economia brasileira apresentou uma relativa taxa de estagnação da renda per capita em meados da década de 1990.
Os graves desequilíbrios fiscais nas últimas décadas resultaram em inflação elevada ou em aumentos na relação dívida/PIB. Essas formas de acomodação são prejudiciais ao desenvolvimento. Taxas elevadas de inflação têm consequências negativas sobre a atividade econômica.
A década de 1990 foi palco de mudanças na política de comércio exterior brasileira. O período caracterizou-se por um processo de abertura comercial abrangente, iniciada no governo Collor e estendida até o governo Fernando Henrique Cardoso. Percebe-se que no desenrolar dos fatos os governos procuraram manter uma estratégia desenvolvimentista, porém, esta se tornou inconsistente, tendo em vista que a dívida já era muito alta.  Porém, ao mesmo tempo notam-se as ideias liberais adotadas pelos mesmos.
A economia brasileira encontrava-se em um contexto econômico adverso, tendo em vista que a globalização financeira e produtiva desenvolvia-se rapidamente, exigindo que as autoridades monetárias tomassem decisões arrojadas, tais como a estabilização da economia, no sentido de preparar o país para a inserção no mercado internacional. Neste contexto, programou-se um conjunto de políticas econômicas culminando com o Plano Real.
Contudo, foi a partir de 1994, com a estabilização afinal alcançada através do Plano Real, a economia voltou a crescer ao que tudo indica de forma sustentada, terminando afinal a grande crise. As quedas das tarifas nominais de importação já haviam sido iniciadas no final dos anos 80, mas foi em 1994-1995 que elas foram fortemente reduzidas, prejudicando sobremaneira o saldo do balanço de pagamentos.
Em suma, o diagnóstico macroeconômico dos primeiros anos da década apresentava:
  • Aceleração de uma taxa de inflação extremamente elevada;
  • Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP), no conceito operacional, modestas, pois a inflação facilitava o ajuste das contas públicas, conforme explicaremos em seguida;
  • Taxa de câmbio extremamente desvalorizada, reflexo ainda da contração do mercado de crédito externo ao país na década de 80;
  • Situação de tranquilidade nas contas externas.
Com a queda da inflação, em contraste com o período imediatamente anterior, o desempenho macroeconômico no primeiro mandato de Fernando Henrique foi o inverso do observado nos primeiros anos da década, e pode ser descrito por meio das características:
  • Inflação baixa (para os padrões brasileiros) e declinante;
  • Elevado desequilíbrio nas contas públicas (sucessiva piora nos resultados primários);
  • Taxa de câmbio significativamente sobrevalorizada;
  • Deterioração dos resultados em transações correntes.
A política econômica, a partir de então, passa a ser caracterizada pelos seguintes objetivos:
  • Metas de déficit resultado primário, ou seja, comprometimento com uma maior austeridade fiscal;
  • Aprovação de reformas;
  • Adoção de um sistema de metas de inflação;
  • Câmbio flutuante.
Nesse sentido, observam-se os percalços de uma política que navegou ao sabor das diretrizes políticas e econômico-financeiras internacionais. Uma sucessão de políticas econômicas inconsistentes com os desejos constantemente anunciados pelo governo em promover a prosperidade econômica, principalmente a partir de empreendimentos privados.
A estratégia privatização mostrava-se contraditória com a condução da política econômica em toda a década de 90. As altas taxas de juros praticadas no período direcionaram a poupança privada para o financiamento público. Essa distorção implicou em escassez de crédito para o setor produtivo, bem como na mudança no próprio direcionamento das atividades deste, por exemplo, com empresas aplicando no mercado financeiro em vez de investir nas suas atividades, por conta de retornos financeiros altamente atraentes.

REFERÊNCIAS
CARNEIRO, Ricardo. Impasses do desenvolvimento brasileiro: aspectos estruturais.

BARBOSA, Nelson. SOUZA, Jose Antonio Pereira de. A inflexão do governo Lula: política econômica, crescimento e distribuição de renda.

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