Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Augusto Cury

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

LOGÍSTICA: ORIGEM E EVOLUÇÃO



Atualmente a competitividade global entre as empresas obrigou-as a buscarem melhorias para garantir seu espaço no mercado. Numa época em que a sociedade é espantosamente dinâmica, instável e evolutiva, a adaptação a essa realidade é, cada vez mais, uma questão de sobrevivência para as empresas que queiram conquistar e fidelizar seus clientes.
A globalização e o ciclo de vida curto dos produtos forçam a uma constante inovação de técnicas de produção e de escoamento. A cada dia os produtos concorrentes ficam mais similares em termos de tecnologia e preço, o diferencial está, portanto, nas empresas comerciais e industriais que conseguirem otimizar seus serviços, superando a expectativa de seus clientes com atendimentos rápidos e eficazes.
Nesse cenário, em que os consumidores são cada vez mais exigentes, as empresas precisam de uma área que as auxiliem a produzir esses efeitos de superação das expectativas dos clientes no que tange ao escoamento eficiente e eficaz da produção, ao mesmo tempo em que contribui para o alinhamento de objetivos geradores de vantagem competitiva e redução de custos. Para tanto, é necessário uma metodologia que consiga planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo de produtos, serviços e informações desde o ponto de origem (fornecedores) até o ponto de consumo (o cliente), esse é  o papel da Supply Chain Management ou Gerência da Cadeia de Suprimentos.
A ferramenta Supply Chain Management, desenvolvida para alinhar todas as atividades de produção de forma sincronizada visando à redução de custos, minimização de ciclos e maximização de valor percebido pelo cliente, foi abordada neste estudo de maneira que se possa identificar as ferramentas que possam ser utilizadas para a otimização de estoques.
Partindo das descrições dadas por Ballou, Bowersox e Ching, os principais autores consultados durante a pesquisa, passando pela revisão de artigos e periódicos que tratam sobre o assunto, o presente estudo tenta responder ao seguinte problema: Em que medida as empresas podem alcançar objetivos de otimização de estoques valendo-se dos princípios e técnicas de Supply Chain Management? Para tanto, buscou-se evidenciar, como objetivo final, as recomendações dos autores consultados às empresas que utilizam os princípios e técnicas de Supply Chain Management para iniciativas de otimização de estoques e, como objetivos intermediários os seguintes itens:
·       A descrição de seus conceitos e princípios;
·       A identificação e descrição das técnicas apropriadas aos objetivos de otimização dos estoques;
·       A identificação das características que produzam efeitos desejados quanto à superação das expectativas dos clientes; e
·       A verificação de até que ponto a sua adoção contribui para o alinhamento de objetivos geradores de vantagem competitiva para a empresa. 


 LOGÍSTICA: ORIGENS E EVOLUÇÃO

Este capítulo apresenta de maneira breve e simples as origens da logística como doutrina militar, as circunstâncias que levaram ao seu estudo no meio acadêmico e as primeiras atividades dessa doutrina em solo brasileiro, primeiramente nas Forças Armadas Brasileiras e mais tarde dentro das empresas comerciais e industriais do país.
O capítulo aborda, ainda, o conceito de logística e a sua evolução ao longo do tempo a partir da adaptação dos conceitos e ferramentas mais utilizados nessa metodologia.

A LOGÍSTICA E SUAS ORIGENS

A logística teve origem nas organizações militares. De fato, a primeira vez que o termo apareceu na literatura militar dos norte-americanos não foi antes de 1870, no período que sucedeu a Guerra Civil nos Estados Unidos. Seu desenvolvimento deveu-se ao intuito de abastecer, transportar e alojar tropas, propiciando que os recursos certos estivessem no local certo e na hora certa. Dessa forma, esta doutrina operacional permitia que as campanhas militares fossem realizadas e contribuía, como diferencial de vantagem,  para a vitória das tropas em combates.
Semanticamente, diferentes autores atribuem origem diversa à palavra logística. Alguns afirmam que ela vem do verbo francês loger (acomodar, alojar), outros afirmam que ela é derivada da palavra grega logos (razão), que significa a arte de calcular ou manipular os detalhes de uma operação.
Souza (2002) afirma que a origem da logística data do século XVIII, durante o reinado de Luiz XIV na França, onde existia o posto de Marechal-General de Lógis, responsável pelo suprimento e pelo transporte do material bélico nas batalhas. Gallo (1998), porém, diz que o primeiro general a utilizar esse termo foi o general Von Claussen de Frederico da Prússia, e foi desenvolvido mais adiante pela Inteligência Americana (CIA), juntamente com os professores de Harvard, para a Segunda Guerra Mundial.
A partir do momento em que os militares começaram a perceber o poder estratégico que a logística possuía, deu-se mais atenção ao serviço de apoio que as equipes prestavam no sentido de deslocamento de munição, víveres, socorro médico nas batalhas, etc. Conseqüentemente, despertou-se o interesse em estudos nesta área. Logo depois, em meados de 1950, a logística surge como matéria na Universidade de Harvard nos Estados Unidos da América, nas cadeiras de Engenharia e Administração de Empresas.
Nascimento (2001) descreve que a educação formal em logística nasceu da necessidade de administrar as diferenças espaciais entre produção e consumo. O economista relata que em 1901 foi publicado o primeiro texto sobre custos de distribuição de produtos agrícolas, pois, nos Estados Unidos da América, as áreas de produção se tornaram mais distantes dos grandes mercados de consumo. Em 1960, a Michigan State University desenvolveu e iniciou os primeiros cursos formais para treinamento de logisticians[1] práticos e acadêmicos. A partir daí, houve uma união entre acadêmicos e militares para utilizarem os conceitos da logística militar nas atividades do seu cotidiano.
A partir de 1970, a logística já era adotada por várias empresas, porém algumas ainda só se preocupavam com o lucro, esquecendo dos custos. Com as crises que se sucederam[2], as empresas passaram a se preocupar com a gestão de suprimentos.

A LOGÍSTICA NO BRASIL

Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro, as primeiras atividades logísticas desenvolvidas pelos militares brasileiros remontam a época imperial. Em 1821, durante a regência de D. Pedro I, foram efetuadas as primeiras incumbências referentes ao rancho[3] da tropa, ao fardamento, ao equipamento, ao material de acampamento, ao arreamento[4] e aos utensílios usados pelo exército.
Nas Forças Armadas do Brasil, a logística é parte integrante do Serviço de Intendência[5], criado em 1920 com a vinda da Missão Militar Francesa e suas atividades são desenvolvidas de maneira muito parecida à das empresas comerciais e industriais no sentido de desenvolver um planejamento eficaz e o provimento adequado nos locais específicos e nas devidas quantidades.
Já no meio empresarial brasileiro, Martins e Alt (2003, p.251) relatam que a logística apareceu nos anos 1970, por meio de um de seus aspecto, a distribuição física, tanto interna quanto externa[...]. Ao perceberem que em um país de dimensões continentais como o Brasil as empresas deveriam ter um gerenciamento logístico eficaz, os empresários, tanto do comércio quanto da indústria, atentaram definitivamente para a logística como um elemento que poderia gerar vantagem em relação à concorrência.
A logística nacional passou por um período de extraordinária mudança e viveu uma verdadeira revolução, tanto em termos das práticas empresariais quanto da eficiência, qualidade e disponibilidade da infra-estrutura de transportes e comunicações, elementos fundamentais para a existência de uma logística moderna. Para as empresas que operavam no Brasil foi um período de riscos e oportunidades. Riscos devido às enormes mudanças que precisavam ser implementadas e oportunidades devido aos enormes espaços para melhorias de qualidade do serviço e aumento de produtividade, fundamentais para o aumento da competitividade empresarial.
Até cerca de dez anos a logística era o elo perdido da modernização empresarial no Brasil[6]. A explosão do comércio internacional, a estabilização econômica produzida pelo Real e as privatizações da infra-estrutura foram os fatores que impulsionaram este processo de mudanças. Entre 1994 e 1997, o comércio exterior brasileiro pulou de um volume de aproximadamente US$ 77 bilhões para cerca de US$ 115 bilhões, ou seja, um crescimento de 50% em três anos.
No nível empresarial, o processo de modernização foi liderado por dois segmentos industriais, o automobilístico e o grande varejo. Nos anos de 1993 até 1998 as quatro montadoras de automóveis, até então instaladas no território brasileiro, haviam feito mudanças radicais em suas políticas de suprimento, passando a combinar compras internacionais com as locais. Estas mudanças implicaram numa forte demanda por uma logística mais eficiente e sofisticada.
Com um cenário interno desta magnitude as pressões impostas pela globalização, os avanços tecnológicos dos sistemas de informação, a constante pressão por redução dos custos e o aumento do nível de exigência dos clientes evidenciando um crescimento na concorrência para conquistá-los e, sobretudo fidelizá-los, era natural que a logística sofresse modificações em seu conceito  e nas técnicas aplicadas dentro das empresas (MENDES, 2000, P. 15-16).

O CONCEITO DE LOGÍSTICA



Segundo Bowersox (2001), a logística é única, pois ocorre a todo instante no mundo. Poucas áreas de operações envolvem a complexidade, a abrangência e o escopo geográfico característico da logística. Tornar disponíveis produtos e serviços no local e instante em que são necessários é o seu objetivo desde seus primórdios.
Por esse motivo, em 1991 o Council of Logistics Management (CLM), a maior autoridade sobre o assunto, modificou a sua definição de gerenciamento da distribuição física, datado de 1976, passando a adotar o conceito de que logística seria o processo de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenamento de insumos, materiais em processo e produtos acabados, assim como informações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às necessidades do cliente.
Mais uma vez, em outubro de 1999, atendendo aos requisitos da globalização e dos avanços tecnológicos na área da Informação, o CLM adaptou a definição de Logística de 1991, colocando que logística seria a parte do processo da cadeia de suprimento[7] que planeja, implementa e controla o eficiente e efetivo fluxo e estocagem de bens, serviços e informações relacionadas, do ponto de origem ao ponto de consumo, visando atender aos requisitos dos consumidores.
No seu emprego nas empresas, a logística ganhou diferentes definições, correspondendo a uma crescente amplitude de seu escopo, experimentada ao longo do tempo. Notou-se também que, ao mesmo tempo em que a função logística era enriquecida em atividades, ela também deixava de ter uma característica meramente técnica e operacional, ganhando conteúdo estratégico proveniente da integração das suas diversas atividades.
A definição apresentada pelo Council of Logistics Management menciona bem a integração de todas as funções ressaltando o foco no cliente e, indiretamente, transmitindo uma visão sistêmica à logística.
Ching (2001) diz que com o passar dos anos, esse conceito evoluiu e uma nova concepção entrou em vigor, passou a existir a integração das diversas áreas envolvidas na produção, dimensionamento e layout de armazéns, alocação de produtos em depósitos, transportes[8], distribuição, seleção de fornecedores e clientes externos, surgindo um novo conceito conhecido como supply chain ou logística integrada.

LOGISTICA INTEGRADA - A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE LOGÍSTICA

A logística, por meio do Serviço de Intendência, evoluiu muito dentro das Forças Armadas. Hoje, este setor deixou de ser apenas um serviço de apoio ao combate, passando a ser um elemento de suma importância, capaz de definir o curso de uma guerra.
Em dois recentes conflitos da era Contemporânea, a Guerra do Golfo e a Invasão do Iraque, pôde-se observar que o papel da logística foi preponderante para garantia da vitória das forças americanas, provendo os recursos de maneira eficaz e tempestiva e estabelecendo condições de sustentabilidade das posições conquistadas pelos americanos.
  Martins e Alt (2003, p. 251) expõem que até poucos anos o termo logística continuava associado a transporte, depósitos regionais e atividades ligadas a vendas. [,,,] Hoje, as empresas já se deram conta do imenso potencial implícito nas atividades integradas de um sistema de logística [...]
Novaes (2003) cita que, durante aproximadamente trinta anos, as atividades relacionadas á logística dentro das empresas comerciais e industriais eram tidas, tal qual no meio militar, como um serviço meramente de apoio e que não agregavam valor ao produto e era vista, apenas, como geradora de custos e sem nenhuma influência no planejamento estratégico organizacional.
Os conceitos de Henry Ford, a produção em massa e a abundância da década de 1950 criaram componentes administrativos que ainda hoje estão enraizados no ambiente industrial das empresas em todo o mundo ocidental. Fazer um empresário compreender que, para o bem geral da sua organização, pode haver um momento em que o departamento de vendas tenha, como tática, de deixar de vender tudo a todos, mesmo havendo demanda, é um grande desafio.
Foi preciso criar uma nova mentalidade que admitisse que o sucesso da empresa independia da concorrência de metas de cada setor, mas, sim, da capacidade de sincronizar todos os elos de uma corrente num único mecanismo, capaz de gerar o maior ganho ao negócio.
Com o passar do tempo, em função da grande preocupação das empresas com a redução de estoques e com a busca da satisfação plena do cliente, a logística empresarial teve que evoluir para atender aos objetivos de otimização desses estoques. Dessa forma, a logística passou a agregar valor de lugar, de tempo, de qualidade e de informação à cadeia produtiva. Além disso, a logística moderna procurou eliminar do processo tudo que não agregasse valor para o cliente, ou seja, tudo que acarretasse somente custos e perda de tempo.
As organizações comerciais e industriais começaram a mudar suas visões em relação aos clientes. Anteriormente, as empresas apenas ofereciam seus serviços e produtos e não se preocupavam com a satisfação do cliente. Souza (2002) diz que essa mudança de visão fez com que as empresas procurassem não mais possuir depósitos descentralizados, mas sim centralizados e com maior poder de agilidade na distribuição, provocando uma redução nos estoques, um melhor nível de serviço e uma administração reduzida na loja. A partir desse ponto de vista, o ritmo de mudança acelerou e o gerenciamento da cadeia de suprimento (supply chain management) tornou-se um importante conceito a ser  implementado.
A necessidade de integração evoluiu de dentro para fora das empresas, constituindo uma rede de organizações integradas desde os fornecedores de matéria-prima até os consumidores finais. A esta constituição integrada foi dado o nome de cadeia de abastecimento, que naturalmente se transformou na visão da logística moderna.
Para um melhor entendimento sobre o significado de logística integrada, deve-se primeiro entender três importantes conceitos. Primeiro, um sistema é uma série de grupos de atividades aparentemente independentes, porém agindo sinergeticamente[9], possibilitando a conclusão de um objetivo. Segundo, grupos de atividades são áreas específicas de atuação dentro das diferentes empresas envolvidas no sistema, melhor ainda, subsistemas especialistas. Terceiro, interfaces são fronteiras, às vezes tênues, entre grupos de atividades que permitem o fluxo de informações e materiais de forma sincronizada.
A logística integrada envolve o gerenciamento de informações, transporte, estoque, armazenamento, manuseio de materiais e embalagem. Todas essas áreas que envolvem o trabalho logístico oferecem ampla variedade de tarefas estimulantes. Combinadas, essas tarefas tornam o gerenciamento integrado da logística uma profissão desafiante e compensadora.
Dentro da empresa, o desafio é coordenar o conhecimento específico de tarefas individuais numa competência integrada concentrada no atendimento ao cliente.  Na maior parte das situações, o âmbito desejado dessa coordenação transcende a própria empresa e amplia-se para incluir clientes, assim como fornecedores de materiais e de serviços. O que faz a logística contemporânea interessante é o desafio de tornar os resultados combinados da integração interna e externa numa das competências centrais da empresa (MARTINS E ALT,2002, P.255).
A Logística Integrada, como visto, tem a intenção de promover o fluxo contínuo de entrada de matéria-prima (suprimento), de fabricação do bem ou serviço (produção) e da saída deste produto acabado até o ponto de venda (distribuição), não interrompendo em nenhum dos pontos da cadeia de suprimentos o processo, minimizando assim a necessidade de estoque pela empresa.

[1] Especialistas em logística com conhecimento da Administração.
[2] As crises do petróleo nas décadas de 1970 e 1980 que afetaram as economias de todos os países do globo e a ascensão do Japão como grande inovador no campo tecnológico.
[3] Local onde são feitas as refeições dentro dos quartéis.
[4] Equipamento de montaria – as tropas se deslocavam a cavalo naquela época.
[5] O Serviço de Intendência é o responsável pelas atividades de gerenciamento dos diversos recursos no meio militar.
[6] Retirado do artigo Perspectivas para a Logística Brasileira de Paulo Fernando Fleury disponível na página da COPPEAD
[7] Conjunto interligado entre fornecedores de materiais e prestadores de serviços que abrange a transformação de matérias-primas em produtos e serviços e os disponibiliza para os clientes de uma empresa (RIZTMAN e KRAJEWSKI).
[8] Roteirização, dimensionamento de frota de veículo.
[9] Quando a soma das partes é maior que o todo.

KARL MARX E A HISTÓRIA DA EXPLORAÇÃO DO HOMEM

  KARL MARX Nasceu em Treves, na Alemanha (1818-1883). Doutorou-se em Filosofia. Foi redator de uma gazeta liberal em...