Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Augusto Cury

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Família e Trabalho na reestruturação produtiva Saúde do Idoso

Pode-se perceber que a ciência moderna nasce da reflexão dos pensamentos clássicos (Durkheim-Weber-Marx) que captaram de modo mais objetivo e racional os problemas e dilemas da modernidade. Período esse de pré-produção sociológica, marcado pelo crescimento das desigualdades e contrastes sociais implementados pela consolidação do capitalismo industrial, inaugurando a problemática e o tema da questão social, apresentado nos aglomerados urbanos de grandes metrópoles no século XIX.
Outra questão marcante é a formação de um modo de produção capitalista que subsiste por meio de uma relação contrastiva entre as classes, ocasionando crises de pré-rompimento na relação capital-trabalho.
Percebe-se o rompimento com os modos de vida tradicionais e com as instituições morais pertencentes à tradição, diferenciação de indivíduos, provocando processo de individualização. Ainda, a racionalização estrutural das sociedades avançadas, na esfera econômica; burocratização do aparelho estatal; secularização das instituições e condutas.
Diante do exposto, o presente trabalho tem por objetivo apresentar algumas considerações a respeito da sociedade moderna e sua relação com as mudanças ocorridas ao longo dos tempos. Pretende-se discorrer a respeito da divisão social do trabalho; as relações familiares na contemporaneidade; além de discutir a respeito da atuação da mulher no mercado de trabalho e as configurações familiares do século XX.

A concentração da renda entre um pequeno número de pessoas, nos países desenvolvidos, é um fato de dimensões relativamente moderadas sob os pontos de vista da economia e da sociologia. Porém, se comparado com os acentuados contrastes comuns nos países subdesenvolvidos, o fato se torna até insignificante.
Os países desenvolvidos são de economias capitalistas e, logicamente, suas populações constituem sociedades divididas em classes sociais que se formaram e se apresentam instituídas e consolidadas por cerca de dois séculos de história.
No referente à divisão social do trabalho observa-se que a sociedade é composta de diferentes indivíduos que desempenham diversos papéis juntamente a outros indivíduos que dão suporte aos papéis desempenhados. Quando esta estrutura se agiganta tem-se a presença das instituições compondo a sociedade.
A divisão do trabalho corresponde à especialização de tarefas com funções específicas, com finalidade de dinamizar e otimizar a produção industrial. Tal processo produz eficiência e rapidez ao sistema produtivo.
Conforme a teoria de Durkheim, a divisão do trabalho social não se refere somente às atividades econômicas, como também influencia todo o conjunto das atividades sociais porque, para além de servir para procurar maior eficácia, tem acima de tudo uma função social.
Acredita-se que a divisão do trabalho nas sociedades modernas é um fenômeno essencialmente social. Observando-se, causa e efeito, a explicação acaba por se constituir em outro fenômeno social, no caso, a combinação entre volume (número dos indivíduos de determinada sociedade), densidade material (volume em relação a uma superfície dada do solo) e densidade moral (intensidade das comunicações e trocas entre esses indivíduos).
Quanto mais numerosos os que procuram viver em conjunto, mais intensa é a luta pela vida. Contudo, em vez de alguns serem eliminados para que outros sobrevivam, a diferenciação social permite que mais indivíduos se diferenciem e cada um tenha uma função e colabore para a vida de todos.

Nas últimas décadas a discussão a respeito da crise nas relações familiares foi propiciado pelos efeitos da generalizada aceitação social do divórcio, do declínio da instituição do casamento e da baixa taxa de fecundidade.
Tais acontecimentos tanto indicaram a compreensão de que se projetara o enfraquecimento da família, quanto sugeriram a análise do surgimento de novos modelos familiares, caracterizados por mudanças nas relações entre os sexos e as gerações, tais como: controle mais intenso da natalidade, inserção massiva da mulher no mercado de trabalho, questionamento da autoridade paternal, atenção ao desenvolvimento das necessidades infantis e dos idosos, entre outras.
Uma prévia da tendência geral dos processos de formação familiar pelas novas gerações fica em evidência mediante ao desuso da recorrência aos casamentos arranjados e o questionamento ao fato de as alianças serem seladas apenas pelo amor e pelo desinteresse. Ainda, o conceito de capital cultural para apreender algumas mediações que tornam possível o amor desinteressado e a defesa dos interesses sociais - o corpo e o caráter revelam os capitais escolares e sociais.
O período contemporâneo se caracteriza pelo maior domínio do destino individual e familiar, em detrimento de um sistema de valores que aprova a autonomia e a recusa dos indivíduos em seguirem costumes referentes ao desempenho dos papéis sociais de marido e esposa, das gerações passadas. Conseguintemente, ocorre o duplo movimento - recusar a instituição do casamento e criticar a divisão do trabalho entre os sexos. Como exemplo, observam-se as condições objetivas que permitem o controle desse domínio individual, especialmente as técnicas modernas de controle dos nascimentos.
Neste contexto, a complexidade da dinâmica familiar evidencia-se de forma inquestionável na maneira com que seus membros interagem. Com todo o aparato promovido pela diversidade, o amor, o afeto, enfim, os sentimentos passam a ser também um desafio tendo em vista que aprender a respeitar e a entender as diferenças, aprender a educar os filhos, dentro de suas limitações e dificuldades configura-se em algo que exige um esforço cada vez maior por parte de todos os membros da família contemporânea. Assim, compreende-se que os novos arranjos familiares trazem consigo novos processos de adaptação.

Como vem sendo mencionado ao longo deste trabalho, muitas mudanças vêm ocorrendo e, principalmente, no que se refere à família. Uma das mudanças consiste no fato de que as mulheres vêm conquistando destaque em diversas áreas do mercado de trabalho. Em muitas situações, a mulher tem vencido obstáculos preconceituosos e ocupando cargos de chefia, ou cargos em atividades que, ainda hoje, são vistas apenas para homens, como é o caso da construção civil.
Um dos fortes motivos de tais mudanças pode ser atribuído à necessidade econômica, assim, a mulher passou a trabalhar fora de casa, com a finalidade de aumentar a renda familiar. Com a saída dos pais de casa, surgem as creches como solução para cuidar dos filhos menores. Este cuidado, em algumas famílias, passou a ser exercido pelas pessoas mais velhas, como os avós.
Entretanto, observa-se que a luta das mulheres remonta de séculos, no decorrer da história, verifica-se sua participação nas diversas lutas, com o objetivo de garantir o reconhecimento a sua identidade. Nesse processo, grandes vitórias foram conquistadas, particularmente nos séculos XX e XXI.
Mais recente, dentre outras conquistas, tem-se a criação do Decreto 21.417 de 1932 que estabelecia pontos essenciais como, por exemplo, a igualdade salarial, sem distinção de sexo, a licença remunerada para a gestante, por quatro semanas antes e quatro depois do parto e a proibição da demissão da gestante pelo simples fato da gravidez. Em 1962 foi criado o estatuto da mulher no Brasil assegurando-lhe direito e liberdade.
A partir de então grandes transformações avançam. O sexo masculino que detinha o poder tanto no relacionamento quanto na sociedade e no campo de trabalho começa a perder espaço para as mulheres.
Movimentos feministas foram implantados. Começa, então, uma destradicionalização da família na sociedade, gerando uma desagregação familiar pelo fim da autoridade parental. Ocorre um decrescimento nas famílias formadas por casais e um aumento proporcional das famílias monoparentais.
Um novo modelo de família começa surgir denominado “arranjos familiares”. A família perde a importância como instituição, passando do casal e filhos para o indivíduo. A visão jurídica também sofre alterações, o casamento que era indissolúvel passa a ser solúvel com a lei do divórcio. A Constituição Federal de 1988 fez com que grandes evoluções no que diz respeito à família acontecessem. É perceptível o surgimento de novos núcleos familiares e os mesmos revelam em si um exercício de profunda experiência. Importante se faz apreender através da diversidade e sazonalidade com que os mesmos acontecem.

Atualmente as pessoas vivem para o trabalho, sem tempo para a família e o lazer, submetendo-se a qualquer labor para garantir o sustento de suas famílias e suas necessidades de consumo. Necessidades essas intrinsecamente causadas pelo capitalismo, impondo uma visão mercadológica sob a qualidade de vida, burlando a crise vivenciada pela humanidade em prol da manutenção de uma visão utilitarista.
Nesse sentido, percebem-se mudanças na relação social, familiar, dentre outras. O modelo familiar da atualidade demonstra-se bastante diferente de séculos passados. Atualmente os chefes da família estão fora para prover as necessidades materiais enquanto os filhos ficam aos cuidados de terceiros ou aos seus próprios cuidados.
Se por um lado os avanços podem ser considerados positivos, tem-se, também, que na relação familiar, ao se observar o aumento do índice de dissoluções familiares, a violência, abuso de drogas, dentre outras situações vividas, principalmente por jovens, tais mudanças configuram-se como negativas. Uma vez que a base estrutural familiar passou a ser amparada apenas pela questão econômica e produção de bens materiais. Tornaram-se obsoletas as relação puramente afetivas e emocionais.

REFERÊNCIAS
MONTALI, Lilia.  FAMÍLIA E TRABALHO NA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA: ausência de políticas de emprego e deterioração das condições de vida. Revista Brasileira de Ciências Sociais - VOL. 15 Nº 42, fevereiro/2000.

KARL MARX E A HISTÓRIA DA EXPLORAÇÃO DO HOMEM

  KARL MARX Nasceu em Treves, na Alemanha (1818-1883). Doutorou-se em Filosofia. Foi redator de uma gazeta liberal em...