Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Augusto Cury

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A eficácia do cinto de segurança em acidentes automobilísticos


 Autor: Dr. Antônio Sócrates De Carvalho Júnior



RESUMO: Introdução: Os acidentes de trânsito ocasionam, a cada ano, a morte de mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, gerando sofrimento para as famílias e custos elevados para os sistemas de saúde e previdenciário. No caso dos acidentes automobilísticos observa-se que um dos maiores fatores que contribuem para o agravamento é a falta do cinto de segurança, por parte dos condutores bem como dos passageiros. Objetivo: Apresentar um breve panorama sobre as estatísticas relacionadas aos acidentes automobilísticos; explanar a respeito do cinto de segurança e sua eficácia. Conclusão: O cinto de segurança é um mecanismo de retenção dos ocupantes de um veículo em seus assentos. Como tal, esse mecanismo faz justamente o que seu nome diz: retém os ocupantes dos veículos nos assentos. É uma decorrência da ação desse mecanismo que ele também contribua para reduzir a probabilidade de choque dos corpos dos ocupantes contra a estrutura interna dos veículos, nos casos de colisão ou freada brusca.

PALAVRAS-CHAVE: Cinto de segurança, Acidentes automobilísticos, Gravidade.


INTRODUÇÃO


Conforme o Código de Trânsito Brasileiro1, Lei número 9.503, de 23 de setembro de 1997, o artigo número 65 determina que: “É obrigatório o uso do sinto de segurança para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional”. A sua não utilização é considerada infração grave e resulta em multa de R$ 127,69 por passageiro sem cinto, além de cinco pontos na carteira de habilitação do condutor.
Tal obrigatoriedade torna-se ainda mais importante uma vez que as estatísticas apresentam o Brasil em quarto lugar no ranking de mortes no trânsito, e em sua grande maioria tais mortes poderiam ser evitadas por meio da utilização do cinto de segurança.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o uso correto do cinto de segurança diminui em 61% o risco de morte, segundo seguradoras esse risco diminui 25% em passageiros no banco de trás. Contudo, menos de 5% dos brasileiros utilizam cinto nos bancos traseiros.
De acordo com dados coletados do Registro Nacional de Infrações de Trânsito (REINAINF), a falta do uso do cinto de segurança é a terceira infração de trânsito mais cometida, quando registrou, entre 2004 até 2010, 22.780.514 infrações ao total, sendo que destas, 9.834.097 foram por excesso de velocidade, 1.168.189 foram por ultrapassagem pela contramão e 978.870 foram pela falta de uso do cinto de segurança.
Para o setor saúde, os acidentes de trânsito despertam preocupação por sua quantificação, impacto na mortalidade e morbidade, por atingir faixas etárias jovens, com elevado número de anos potenciais de vida perdidos e consequente redução da esperança de vida, além de gastos que representam para o setor congestionamento dos serviços de emergência e custos com reabilitação, em função das sequelas que ocasionam o que também representa custo familiar e social3. Em 2012, 60 mil óbitos e 350 mil sequelados por acidentes automobilístico, dados da Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (ABRAMET).
Assim, acredita-se que o cinto de segurança diminui a possibilidade de mortes e ferimentos causados por acidentes de trânsito, fato já comprovado por inúmeras pesquisas. Sendo assim, sob este contexto, o presente trabalho visa explanar a respeito da eficácia do cinto de segurança em acidentes automobilísticos.

ACIDENTES AUTOMOBILÍSTICOS


Acidente automobilístico ou acidente de viação refere-se a uma colisão entre veículos, entre um veículo e um objeto (poste, construção, árvore, etc.), entre um atropelamento de pedestres (ou de pessoas trafegando em animais de carga ou em veículos menores, tais como bicicletas, motocicletas etc.) ou de animais.
Segundo o Índice de Desenvolvimento Brasileiro (IDB), os acidentes de trânsito ocupam o terceiro lugar do ranking no número de mortes. Os acidentes de trânsito afetam todas as faixas etárias, mas incide particularmente na população jovem. Chega a ser responsável por mais de a metade das mortes que ocorrem na infância e adolescência. No Brasil, estatísticas mostram que em média há uma morte por acidente automobilístico a cada 15 minutos.
Costumam-se apontar a precariedade das estradas, a infraestrutura deficiente, a falta de ciclovias e as falhas na sinalização como as causas para as tragédias no asfalto. Também se afirma que os carros vendidos por aqui não passam nos padrões de segurança europeus, são verdadeiras armadilhas letais sobre rodas. Todos esses fatores aumentam os riscos, mas a maior razão para o massacre no trânsito são os condutores. Mais de 95% dos desastres viários no país é resultado de uma combinação de irresponsabilidade e imperícia.
O alto índice de acidentes automobilísticos está diretamente ligado ao comportamento dos condutores. Assim, são apontados como principais falhas cometidas nas ruas e estradas4:
·         Usar o celular ao volante;
·         Dirigir alcoolizado: em 21% dos acidentes pelo menos um dos condutores havia bebido;
·         Dirigir colado na traseira do carro à frente: é causa de 12% dos acidentes registrados nas rodovias;
·         Dirigir acima da velocidade permitida: também representa 12% dos acidentes registrados;
·         Deixar de ligar a seta: trocar de faixa sem ligar o sinalizador obriga o motorista na pista ao lado a frear bruscamente, às vezes sem tempo hábil para evitar uma batida;
·         Deixar de usar o cinto de segurança: Estima-se que em uma colisão frontal a 60 km/h, um passageiro que viaja no banco de trás sem cinto é arremessado com um peso equivalente a 1000 quilos, esmagando quem está na frente.
·         Falta de manutenção de rotina no veículo.

Conforme se pode observar, vários são os fatores causadores de acidentes automobilísticos, entretanto a questão da falta do uso do cinto de segurança pode agravar ainda mais o acidente, conforme a informação acima relatada.

O CINTO DE SEGURANÇA E SUA EFICACIA EM ACIDENTES AUTOMOBILÍSTICOS


O cinto de segurança consiste em um dispositivo de retenção e defesa dos ocupantes de um veículo, que tem como principal objetivo não permitir a projeção do passageiro para fora do veículo e nem que seus ocupantes batam com a cabeça contra o para-brisas, contra outros ocupantes ou contra partes duras do veículo5.
O cinto de segurança é bem questionado pelos motoristas porque em caso de incêndio ou queda num rio, não conseguiriam abandonar o veiculo; porém usando o cinto evitariam o trauma craniano, estando mais ágil para sair do veículo. Entretanto, o cinto de segurança incontestavelmente reduz a morbidade e a mortalidade dos ocupantes dos veículos acidentados6.
Diversos autores afirmam que o cinto de segurança é inquestionável, pois reduz a morbidade e mortalidade dos ocupantes dos veículos acidentados. Contudo, apesar de o cinto de segurança ter sido adotado em larga escala pelos motoristas, em virtude de massivas campanhas de educação, seu uso no banco traseiro ainda não foi totalmente adotado, colocando em risco os demais ocupantes do veículo. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o cinto de segurança também é obrigatório nos bancos traseiros, sendo sua não utilização passível de multa5.
Ainda verifica-se certa resistência ao uso do Cinto de Segurança, ou por desconforto, ou até mesmo em continuar com uma opinião retrógrada que este utensílio é opcional. Acredita-se que falta muita campanha de conscientização para a população e aquelas que estão sendo realizadas, não estão conseguindo alcançar seus objetivos, pois os dados estatísticos ainda continuam os mesmos. Questiona-se, também, sobre o cinto de segurança traseiro que é obrigatório e há penalidade para o condutor caso o passageiro do banco traseiro não o utilize, porém muitos condutores afirmam que apenas há obrigatoriedade do uso de cinto no banco dianteiro4.
Observa-se que o cinto não foi desenvolvido para impedir que braços, pernas e cabeça dos ocupantes se movimentem no interior do veículo e se choquem contra a estrutura rígida desse interior, vindo a sofrer lesões diversas. Embora, óbvia, essa é uma noção fundamental: o cinto diminui a probabilidade de morte de seu usuário – por evitar a ejeção - mas não o faz, necessariamente, nem na mesma proporção, no que toca aos possíveis ferimentos das várias partes do corpo por ele não protegidas7. Mas, é muito importante e necessário compreender que, dentro do sistema de proteção, o cinto é um mecanismo de retenção.
Em decorrência disto, nos casos de colisão ou freada brusca, contribui para reduzir a probabilidade de choque dos corpos contra a estrutura interna dos veículos (painel de instrumentos, volante e, principalmente, para-brisa). É também função do cinto absorver parte da carga do impacto e distribuir a restante, uniformemente, por toda a extensão de contato com o corpo – que são áreas mais fortes.


CONCLUSÃO

           
Infelizmente, observa-se que mesmo através de campanhas de conscientização sobre a importância da utilização do cinto de segurança, ainda há índices elevados de uso esporádico desse mecanismo de segurança automobilístico.
É importante ressaltar que a eficácia do cinto de segurança depende de sua correta utilização, tendo em vista ser um elemento de retenção de uso simples, que atua em colisões de qualquer espécie. Como a função do cinto de segurança é proteger os ocupantes, diminuindo as consequências dos acidentes, consideramos o item como um sistema de segurança passiva. Em muitos casos, o equipamento impede que o ocupante se choque contra o volante, painel e para-brisas, ou ainda, que seja projetado para fora do veículo. Portanto, o cinto de segurança é eficaz para reduzir as consequências de acidentes não somente para o condutor do veículo, mas para todos os ocupantes do automóvel.

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1- Lei Nº 9.503, de 23 de Setembro de 1997: institui o Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm>. Acesso: 08 Abr. 2015.
2- Severino AJ. Metodologia do trabalho científico. 21. ed., rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2000.
3- Carvalho LS. Inclusão social referente às pessoas sequeladas por consequências de acidentes automobilístico. Instituto Educacional Santa Catarina, 2014.
4- Lima VF. O Cinto de Segurança: Proteção à integridade física e a eficácia da lei. Revista ABRAMET, 2002.
5- Revista Mundo Trânsito. Disponível em: <http://mundotransito.com.br/index.php/2010/11/30/cinto-de-seguranca/>. Acesso: 08 Abr. 2015.
6- Katsonis L. Cinto de Segurança – Cuidados e Adaptações. Revista ABRAMET, jan/fev 1999.

7- Vias Seguras. Disponível em: <http://www.vias-seguras.com/veiculos/o_cinto_de_seguranca/cinto_pesquisa_da_rede_sarah>. Acesso: 08 Abr. 2015.

A eficácia do cinto de segurança em acidentes automobilísticos

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